Bairros

Em busca de atendimento, repórter espera 3 horas por um ‘não’

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 2 min

A reposta a este repórter foi rápida: “Não há mais vagas”. Quatro palavras após quase duas horas na fila, que começou a se formar em frente a Unidade de Saúde do Centro por volta das 4h da última quarta-feira.

Foi nesse horário que Miguel Pereira contou ter chegado no local. Assim como ele, rumei ao núcleo de Saúde do Centro na última quarta-feira para tentar uma vaga de algum desistente no sistema de saúde. O objetivo era experimentar a sensação que maior parte das pessoas tem ao se aglomerarem na porta das unidades antes mesmo delas serem abertas - alguns chegam a ficar cerca de cinco horas nessas filas em busca de vagas abertas por desistentes.

Ao chegar na unidade, por volta das 6h, lá já estavam aproximadamente cerca de 20 pessoas, algumas com suas consultas marcadas há 30 dias ou mais, outros com esperança de conseguir o atendimento.

Na fila, as pessoas conversavam sobre tudo para afastar o frio e esquecer do tempo que ainda restava para que os portões da unidade fossem abertos e os que madrugaram conseguissem a vaga para passar pelo atendimento de um dos dois médicos que atenderiam no local. A realidade nem sempre é essa; em outros dias da semana, apenas um profissional é responsável por fazer o atendimento clínico geral no local.

Quando ainda faltava meia hora para que o atendimento aos usuários tivesse início, a fila já havia dobrado em relação ao momento em que cheguei na unidade e triplicaria até as 7h, quando finalmente o atendimento seria iniciado. Durante esse período, conversou-se sobre tudo: da falta de trabalho até as eleições que batem às portas da população.

Mesmo antes de chegar a minha vez, no primeiro atendimento, eu mais as pessoas que estavam atrás de mim na fila já sabíamos que o tempo de espera havia sido em vão. De acordo com a atendente, as vagas desistentes haviam sido preenchidas em menos de dois minutos. Não houve sequer uma triagem para se conhecer casos de prioridade.

Na minha vez, me limitei a dizer que desejava marcar um data, fosse ela para quando houvesse possibilidade, mas cordialmente, sem perguntar qual seria o meu problema, a funcionária negou essa alternativa para o atendimento básico e me pediu para tentar em outro horário ou “madrugar” no próximo dia.

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Críticas

Os usuários dos serviços da saúde pública municipal são unânimes em isentar médicos, enfermeiros e assistentes de enfermagem de suas queixas. A maior parte das pessoas reclama muito é do primeiro atendimento, aquele do balcão das unidades.

Na UBS da Vila Nova Esperança, os moradores e usuários dizem ser tratados com desprezo ao serem recebidos no balcão. Francisnaldo Severino da Silva disse que uma funcionária (que teve o nome preservado) trata as pessoas com desprezo. “Ela trata a gente como se fosse um bicho, um nada”, reclama.

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