Em época das férias escolares a tendência é que as crianças fiquem mais tempo em casa e, com isso, aumente o risco de acidentes domésticos. Pesquisa realizada pelo Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde aponta que os acidentes são a principal causa externa de morte entre crianças de 1 a 14 anos, representando quase 40% dos óbitos.
No levantamento, foram analisados 10.351 casos de morte e outros 184.240 prontuários de internações de crianças nesta faixa etária ocorridos em 2005. Quedas, queimaduras e intoxicações acidentais também são os maiores responsáveis pelas internações entre jovens entre 10 e 14 anos, com 38% dos atendimentos.
O estudo aponta que grande parte do risco a que as crianças estão expostas está dentro de casa, nos brinquedos e pequenos objetos, além do manuseio de líquidos quentes e produtos tóxicos, principalmente os utilizados na limpeza doméstica.
“É difícil imaginar que, apesar de todos os avanços alcançados pela medicina e pela saúde pública nos últimos anos, muitas crianças e adolescentes no Brasil ainda morram por causas completamente evitáveis. Pequenos cuidados e medidas simples resolveriam grande parte deste problema”, afirma Ricardo Tardelli, diretor estadual de Saúde.
Por este motivo, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo tem ampliado a divulgação de dicas para evitar acidentes graves como queimaduras, envenenamento e choque elétrico, com a criançada.
De todos os lugares da casa, a cozinha merece alerta especial. É lá que acontecem os principais acidentes e as principais vítimas de queimadura, na maioria das vezes provocada por líquidos quentes, têm até 15 anos de idade. “Atitudes simples, como direcionar o cabo da panela para dentro do fogão, evitam os esbarrões e acidentes”, diz Sergio Sarrubo, diretor do Hospital Infantil Darcy Vargas.
As crianças também estão mais expostas ao envenenamento nas férias. “Os casos de intoxicação são mais freqüentes na população infantil”, alerta o diretor. O principal motivo é o contato com medicamentos, produtos de limpeza, inseticidas e raticidas. A dica é manter estes produtos em locais fora do alcance das crianças e de preferência em armários com tranca.
Outra orientação importante é evitar dizer aos filhos que o remédio é doce ou gostoso. Segundo especialistas, isto pode estimulá-los a consumir os medicamentos sem supervisão dos adultos.
Para impedir os choques elétricos medidas simples são a solução. Coloque dispositivos que fechem as tomadas e oriente as crianças sobre os riscos de brincar perto dos fios da rede elétrica.
Por fim, vale ressaltar que em caso de contaminação ou queimadura é importante nunca realizar a chamada automedicação. Sempre procure o pronto-socorro mais próximo e, na ocorrência de envenenamento, é recomendável levar o produto para análise da equipe médica.
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Internações
Nas férias, as crianças também tendem a ficar mais tempo fora de casa, reforçando a necessidade de atenção dos pais. Isto porque, entre as principais causas externas de morte infantil, os afogamentos ocupam o primeiro lugar, com 27,6% dos casos, seguidos por atropelamentos (25,7%), outros acidentes de transportes (18,5%) e sufocamentos acidentais (16,8%). Os números são de pesquisa realizada pelo Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.
Quando o assunto são as internações, os pais devem tomar cuidado com as quedas, responsáveis por 74,6% das ocorrências. Em segundo lugar na lista de preocupações estão os atropelamentos, com 8,4% dos casos, seguidos pelas queimaduras, que levaram 5,7% das crianças e adolescentes ao hospital.
“A atenção dos pais e responsáveis é primordial quando o assunto é evitar que as crianças e jovens se machuquem. É preciso pensar a casa como um local onde tudo pode acontecer e, diante disso, tentar se antecipar aos possíveis riscos”, afirma Tardelli.
Segundo ele, não se trata de perseguir os pequenos ou de impedir que eles circulem por aí. “Espera-se, apenas, que algumas medidas sejam tomadas com o objetivo de diminuir as chances de algo de ruim que aconteça.”
(*Com informações da assessoria de imprensa da Secretaria do Estado da Saúde de São Paulo)