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Reflexão sobre o senso crítico


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Abrir as páginas de um jornal, livro ou simplesmente assistir tv não significa, propriamente, despertar o senso crítico. Os meios que existem para se consultar informações e se municiar de dados, muitas vezes, compactuam com o senso comum e colaboram para que o ato de questionar fique relegado a segundo plano. E é aí que o senso comum nasce.

Nesse jogo de gato e rato, há sempre os interessados em estimular a aceitação de um fato – seja por motivos religiosos, partidários, econômicos ou afins. O poder que emana das grandes corporações, agrupamentos políticos, religiosos e todo tipo de força constituído pode, de forma geral, compactuar para que a reflexão sobre um fato seja banida. Questionar é uma ferramenta que enche o saco de quem não quer que o outro saiba a resposta. Por isso, o senso crítico joga luz sobre as pedras do caminho.

E como estimular esse senso crítico? Como entender o mundo por meio de questiona-mentos? A tarefa não é fácil, principalmente quando há quem esteja interessado em manter tudo do jeito que está. A fome de uns é fortuna de outros. A falta de educação é sinônimo de poder para quem tem coragem de utilizá-la como massa de manobra – e isso não é difícil de ser visto atualmente.

Falta, infelizmente, senso crítico na própria formação escolar. Só se aprende regras e fórmulas decoradas, que são um dia jogadas no ralo do esquecimento. Para que guardar algo que não possui serventia? O cérebro apenas as utiliza pelo período necessário, depois disso, adeus...

As escolas deveriam ensinar a questionar, a entender o que é ser cidadão e também a pesquisar informações por esse mundo afora, seja na forma de troca de conversas, ou até mesmo pela leitura de um bom livro. Não ter vergonha de perguntar – mesmo que a pergunta seja a mais estúpida possível do ponto de vista pessoal – deveria ser algo trabalhado diariamente. Mas falta um senso crítico sobre o próprio senso crítico – as velhas fórmulas são mais cômodas e não mexem na zona de conforto que as pessoas geralmente se colocam. O questionar, por si só, mexe em várias feridas. E isso não é bom, quando essas feridas pertencem a quem não quer ser incomodado.

Se a tela da tv encanta, se o mundo virtual se abre num emaranhado de hiperlinks que permitem a interatividade, se o rádio traz as notícias pela manhã, o que cabe a cada pessoa dentro da sociedade? Ingerir essas informações? Não. É necessário ver que, por detrás de cada linha escrita, cada palavra proferida, cada foto exibida, há um olhar humano. Esse olhar, que é passado diariamente, deve ser questionado e rebatido por cada um. A tarefa deve ser constante, pois o espírito crítico só existe quando as questões povoam a mente. Resignar-se diante dos fatos é morrer aos poucos. E morrer aos poucos é não questionar a vida.

Juliano Schiavo, 20 anos, é estudante de jornalismo.

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