Polícia

Professores da Fundação Casa garantem que foram mantidos reféns para proteger internos

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Professores da Fundação Casa foram mantidos como reféns, na rebelião registrada anteontem, na unidade de Bauru, para proteger a integridade física dos internos. A afirmação partiu deles próprios, cedidos pela Secretaria do Estado da Educação. Durante a ocorrência, estavam na companhia de um funcionário da própria instituição, também surpreendido com o tumulto. Todos negam que tenham permanecido na unidade por iniciativa própria, como informou o diretor regional da instituição, Dario de Arruda Mendes Neto, em matéria publicada ontem pelo JC.

De acordo com o grupo, os adolescentes os soltariam desde que também fossem liberados. Durante a rebelião, dois professores passaram mal e desmaiaram na unidade de internação, onde ministravam aula.

No entanto, eles garantem que em nenhum momento foram agredidos nem mesmo ameaçados pelos internos. Pelo contrário, os adolescentes demonstravam respeito, além de preocupação com a situação dos profissionais. Inicialmente, acrescentam, foram trancados no local por ser procedimento da casa em eventos dessa natureza.

Depois, os adolescentes fizeram acordo com a Equipe de Intervenção Rápida de Iaras para que saíssem juntos e que os seis profissionais ainda acompanhassem a revista, o que não aconteceu, explicam. O diretor pediu que deixassem a unidade, onde ele mesmo permaneceu. Ainda segundo contaram, o problema teria começado no pátio e não na sala de TV, como também foi informado por Mendes Neto.

O início

Um interno utilizou o banheiro externo e, na volta para a sala de TV, brigou verbalmente com um funcionário, relatam os professores. Como os adolescentes imaginaram que ele estava apanhando, iniciaram a rebelião. Vários deles ficaram feridos sem gravidade, especialmente nas mãos, ao quebrarem cadeiras, carteiras, televisão e DVD. Quando o problema começou, eles assistiam ao filme “Escritores da Liberdade”.

O longa aborda o desafio da educação num contexto social problemático e violento. Uma professora leciona para adolescentes considerados turbulentos. Mas, ao perceber os problemas enfrentados por eles, adota novos métodos de ensino. Com o passar do tempo, os alunos passam a conviver de forma mais tolerante, superando entraves em suas próprias rotinas.

Para evitar constrangimentos, os professores pediram que seus nomes fossem preservados.

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