Ribeirão Preto - Passados 15 dias da homologação da lei 11.705, a chamada “lei seca”, que encurta limites e aumenta as punições para o motorista flagrado ao volante após a ingestão de bebida alcoólica, os bares, restaurantes e casas noturnas de Ribeirão Preto correm contra o tempo para tentar evitar que a nova legislação afaste a clientela.
Cada um a seu modo, os proprietários apostam em medidas para facilitar a vida do cliente na hora de ir embora após alguns chopes ou doses a mais. “Essa lei vai trazer, sem dúvidas, uma mudança de hábitos e, claro, nós vamos criar estratégias a curto prazo para acompanhar isso”, disse Luit Marques, dono do Villa das Flores, que estipulou uma semana para adotar medidas.
Marques já tem em mente o que pretende. Por ter estacionamento próprio em seu estabelecimento, aposta em uma parceria com uma cooperativa de taxistas. “Quem quiser, vai deixar o carro aqui e pode voltar de táxi. Pela demanda maior, os motoristas poderão cobrar mais barato”, afirmou.
Mas há quem aposte num serviço mais personalizado. Antes mesmo de a lei entrar em vigor, há três anos, a Cachaçaria Água Doce instituiu sistema “delivery” de clientes. Ele consiste em agendar, buscar e levar um grupo grande de pessoas.
Outros estabelecimentos tradicionais também estudam mudança de estratégia por conta da “lei seca”, como Pingüim, Café Cancun e 5.ª Eskina. Mas são apenas as grandes redes ou casas maiores que podem se dar ao luxo de oferecer serviços personalizados. Com margem baixa de lucro, os pequenos já esperam queda na clientela. “Já observamos queda, mas não temos como aumentar o preço, senão os clientes fogem de vez”, afirmou Nelson Belizário, 55 anos, dono de um bar no centro da cidade.
Para manter a van que trabalha nas duas casas, a Água Doce estima gastar, por mês, R$ 3.500,00 entre salário do motorista, combustível e manutenção. Todos os dias são pelo menos quatro grupos agendados.
Naturais de São Paulo e a trabalho em Ribeirão, os gerentes de vendas Sidinei Gomes, 31 anos, e Tiago de Oliveira, 30 anos, aprovaram a iniciativa. “Estamos de carro, mas preferimos passar na frente para saber onde era e pedir o serviço da van, já que íamos beber”, disse Gomes.