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Nações Norte: uma boa notícia


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No início da década de 80, certo escritório de venda de terrenos, situado no prédio Abelha, na Cinelândia, responsável pelo loteamento denominado Jardim Marília, como atrativo do empreendimento oferecido aos interessados, exibia um projeto da extensão da avenida Nações Unidas, partindo da Baixada do Silvino e terminando na rodovia Bauru-Marília, cruzando com o loteamento. O projeto era uma cópia do original arquivado na Secretaria do Planejamento, sendo certo que nenhuma modificação nele foi introduzida nestes 30 anos. Poucas incursões políticas aconteceram durante esse período no propósito de transportar o projeto do papel para a realidade. Naquelas ocasiões o fracasso do esforço era debitado num único motivo: ao município faltava suporte financeiro para arcar com o custo da obra, e, ao lado disso, o Estado de São Paulo e a União demonstravam desinteresse nesse projeto local por nada lhes dizer respeito. E assim o tempo foi passando até que novo alento sobre a concretização da obra voltou à cena no ano passado diante da promessa do vice-governador do Estado, professor Cláudio Lembo, quando esteve visitando esta cidade de liberar recursos para o prosseguimento da avenida. Mas o assunto retornou ao esquecimento até que os políticos locais e pessoa da livre-iniciativa, alavancados por objetivo comum e também por afeição à cidade, conseguiram que o governo do Estado incluísse no plano de privatização da rodovia Marechal Rondon, a construção da avenida Nações Unidas Norte.

Parece que desta feita a cidade se livrará da inércia e do jejum de obras públicas, vencendo administrações pouco produtivas, ao acertar o caminho do desenvolvimento de verdade, com a promessa de tornar efetiva uma das mais importantes obras. Um belíssimo presente do governo estadual recebido pela coletividade com toda credibilidade. Para os munícipes, pouco importa conhecer o rosto político do autor da façanha, não interessando o nome individual do político ou da agremiação partidária que entregou a agulha e a linha para ser costurada no futuro contrato de concessão da rodovia Marechal Rondon a garantia da conversão em realidade do antigo sonho da cidade. Motivo de regozijo e orgulho do munícipe é ver a cidade onde mora ganhar um novo impulso com grande investimento público, renascendo a esperança na crença de que, a reboque da avenida Nações Unidas Norte, surjam novas investidas de reurbanização, a fim de arregimentar recursos necessários ao prosseguimento da construção do viaduto iniciado em 1994, lamentavelmente entregue a deterioração pelo inaceitável abandono da empresa construtora e injustificável dívida assumida com a obra.

A cidade continuará dependendo de favores do Estado e da União caso providências imediatas e inadiáveis deixarem de ser adotadas pelo administrador de hoje, ou de amanhã, propondo a reformulação do critério de alíquotas dos tributos municipais, máxime do IPTU, legítimo representante da força econômica dos municípios não industrializados, como o nosso, para adequá-los de uma vez por todas à realidade da propriedade, aos bens e aos serviços, base da cobrança tributária municipal. O administrador público que inibe a expansão de cidade nascida com vocação regional para desenvolver-se, menos por sua falta de capacidade administrativa, mais pela escassez de dinheiro em caixa, e que demonstra falta de iniciativa para mudar esse péssimo quadro, embora possa não ter consciência disso, está diretamente cooperando pela estagnação ou o declínio da cidade. Há dez anos, Bauru figurava em nonagésimo lugar dentre as cidades paulistas. Há dois anos, o jornal “O Estado de São Paulo” publicou que outras dez cidades passaram à sua frente, notícia assaz amarga ao defensor do bairrismo. É exato que essa posição das cidades é avaliada pelo tamanho de sua população, mas quem duvida que o aumento de seus habitantes tem a ver com as condições oferecidas pela cidade como trabalho e boa urbanização? É necessário que o administrador pense grande, à altura da grandeza da cidade, deixando para trás, sem se incomodar com eventual desprestígio político ao interagir com o Legislativo para juntos escolherem medidas tributárias adequadas e proporcionais ao contribuinte, ao mesmo tempo, ótimas para a cidade. Serão momentaneamente providências impopulares, mas salutares para a cidade. Isso acontecendo, o munícipe de hoje reconhecerá amanhã o benefício coletivo recebido. Ademais, como bem dizia um ex-prefeito quando era obrigado a elevar a tarifa do transporte coletivo: “Hoje o povo vai chiar, mas daqui a uma semana estará esquecido”.

O autor, Alfredo Enéias Gonçalves d’Abril, é professor universitário, aposentado

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