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As críticas à Polícia Federal


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É preocupante o formato contundente da crítica, principalmente as formuladas por autoridades, quanto ao vazamento de informações sobre as atividades da Polícia Federal no eficiente combate ao crime do colarinho branco e à corrupção endêmica nos escaninhos do poder. A reprimenda jamais deveria ser endereçada à instituição que, com o devido rigor, apenas faz o seu trabalho.

Deveriam ser alvos da crítica aqueles que, por qualquer razão, tendo acesso à informação policial, promovem o seu vazamento de forma fraudulenta, prejudicando a igualdade de oportunidade entre os órgãos de divulgação e – pior – tentando prejudicar desafetos ou obter lucro indevido através do informe transmitido “com a mão do gato”. Estes, sim, devem ser investigados, identificados e punidos exemplarmente, pois se valem da coisa pública para obter benefício próprio ou de grupos onde se relacionam.

Quanto à Polícia Federal, o melhor das autoridades é não interferir. Deixar que seus integrantes, sempre sob a autorização do Poder Judiciário, continuem agindo livremente e dentro da lei, mesmo que isso, sem dúvida, possa custar alguma “saia justa” a membros do governo e a outros poderosos colocados em dúvida.

Apesar do processo legislativo lento e da desatualização de muitos instrumentos legais, o Brasil possui uma formidável base jurídica para as polícias desenvolverem seu trabalho. As operações da Polícia Federal têm desmontado importantes focos do crime organizado e da corrupção e desmistificado a verdade popular de que cadeia é coisa feita exclusivamente para pobre.

A outrora burocrática PF, cuja atuação era de muitos desconhecida, hoje está entre as instituições mais ágeis e dinâmicas do país e o próprio noticiário mostra que suas operações são decorrentes de meses, até anos de investigação. Esquemas tradicionalmente viciados e durante muito tempo beneficiados pela impunidade têm caído e deixado de dar prejuízo ao erário e, por extensão, à comunidade. Isso não pode parar!

O regime democrático tão enfaticamente citado por políticos, governantes e autoridades, garante ao cidadão o direito à informação. Todas as ações policiais, vencidos os requisitos de sigilo profissional que, se quebrado, pode prejudicar os resultados, tem de receber a mais ampla divulgação. Isso serve, entre outras coisas, para a população se precaver e, ela própria, evitar ser vítima de golpes e crimes análogos àqueles já investigados e descobertos. E, quando há o envolvimento de ocupantes de cargos eletivos, para o eleitor, sabendo das coisas, decidir melhor na próxima vez em que for votar.

O autor, tenente Dirceu Cardoso Gonçalves, é diretor da ASPOMIL (Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo

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