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Região de Bauru reduz gravidez na adolescência em 35,51% em dez anos

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Na última década, a região de Bauru reduziu em 35,51% o número de adolescentes grávidas, segundo a Secretaria do Estado da Saúde. No ano passado, 4.340 meninas com até 20 anos geravam seus filhos. Em 1998, o total era de 6.730. Os números incluem grávidas de 68 municípios, como Lins, Jaú, Avaré, Botucatu, além de Bauru.

Eles ajudaram o Estado a atingir, no ano passado, o menor número de adolescentes grávidas da última década. Pela primeira vez na história, o total de casos não chegou a 100 mil em território paulista. As regiões do ABC, na Grande São Paulo, e a de Marília registraram as maiores quedas, 41,91% e 40,72%, respectivamente. Já a média do Estado foi de 34,7%, percentual menor que o obtido pela região de Bauru.

O desempenho de cada cidade, porém, ainda não foi divulgado. O responsável pela Direção Regional de Saúde–6 (DRS-6), Carlos Macharelli, até ontem à tarde não dispunha de tais dados. Mas para ele, o resultado divulgado pela Secretaria do Estado da Saúde pode ser explicado, entre outras razões, pelo acesso aos métodos anticoncepcionais. “O uso do preservativo é importante. À medida que são colocados à disposição da população, assim como outros meios contraceptivos, fatalmente os jovens têm acesso”, explica.

De acordo com ele, com base no indicador de gravidez na adolescência, a DRS-6 discute ações no colegiado de municípios. Além disso, onde os índices são piores, o próprio Estado realiza palestras e suscita discussões. Já quando os percentuais estão dentro da média, eles pactuam metas com a Secretaria do Estado da Saúde e cada cidade dá andamento aos programas já instituídos.

Em Bauru, por exemplo, a meta estabelecida junto ao Estado é de 22% de adolescentes grávidas em relação ao total de gestantes do município. Por pouco o percentual não foi atingido no terceiro trimestre do ano passado, quando chegou a 22,5%. No quarto trimestre saltou para 29,2% e no primeiro deste ano para 28,8%, informa a enfermeira coordenadora do Programa Saúde da Mulher (PSM), Luciana Vieira.

Ela acredita que a pactuação possa ser cumprida com o trabalho já realizado pela Secretaria Municipal de Saúde. O PSM, por exemplo, ministra palestras sobre gravidez na adolescência, assim como o Programa Saúde da Família (PSF). Neste último caso, o tema é abordado durante visitas domiciliares, nas unidades de saúde e nas escolas.

Segundo Luciana, o assunto também é tratado no Centro de Testagem e Aconselhamento, que dispõe de programa específico sobre doenças sexualmente transmissíveis e aids. Além disso, interessados têm acesso a preservativos gratuitamente nas unidades de saúde, que agora abrem aos sábados (até as 12h), uma vez ao mês, para a realização de palestras.

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Não recomenda

Aos 16 anos, Tatiane da Silva Romualdo de Souza é mãe de Alessandro, 5 meses. Apaixonada pelo bebê, diz que a gravidez foi planejada e garante não ter se arrependido. No entanto, não recomenda ter filho na adolescência a nenhuma amiga. Para ela, a maternidade deve ser aproveitada pela mulher quando mais velha.

Ela, por exemplo, parou de estudar. Quando soube que seria mãe, estava na oitava série do ensino fundamental. Cursou até o primeiro ano do ensino médio. “Só vou voltar mais para frente, quando ele estiver maiorzinho”, comenta. Admite que ter filho dá bastante trabalho e também gastos. “Mudou tudo na minha vida”, conta a menina, casada há um ano com um rapaz de 27 anos.

Ele tem outros filhos, em São Paulo. O mais velho, atualmente, tem 9 anos.

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Novas gestantes

A Secretaria Municipal de Saúde também não dispõe de dados sobre a quantidade de meninas com menos de 20 anos que, grávidas, procuram as unidades básicas de saúde de Bauru pela primeira vez. A indicação das novas gestantes começou recentemente, informa a enfermeira coordenadora do Programa Saúde da Mulher, Luciana Vieira.

De acordo com ela, até o ano passado a prefeitura dispunha de uma relação trimestral com o total de gestantes adolescentes. Mas a mesma menina pode constar em até três trimestres, já que o período de gestação é de nove meses. Ainda assim, no primeiro trimestre de 2007 elas representavam 29,6% do total de gestantes do município (onde estão incluídas as mais velhas). No mesmo período deste ano, caiu para 28,8%.

Em números brutos, elas eram 345 de um total de 1.131 grávidas em 2007. Neste ano, 366 de 1.270 delas.

Já no Estado, as adolescentes grávidas em 2007 representaram 16,25% do total de partos. No Brasil, o índice de adolescentes grávidas é de 21,8%, segundo dado do Ministério da Saúde referente a 2005 (último disponível). Excluindo-se o Estado de São Paulo o índice nacional sobe para 23,07%, informa a assessoria de imprensa da Secretaria do Estado da Saúde.

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