A Igreja Católica de Bauru está em festa. No domingo, o monsenhor Almir José Cogiola, 75 anos, completará 50 anos de sacerdócio. O jubileu de ouro do religioso, que atua hoje na Paróquia de Santa Rita de Cássia e como assessor diocesano na Pastoral da Família, será celebrado com tríduo a partir de amanhã e com missa no sábado. Ele recebeu o Jornal da Cidade na casa paroquial na tarde de ontem e se emocionou ao lembrar as cinco décadas dedicadas à igreja e às paróquias que atuou.
Único filho homem entre seis irmãs, o monsenhor, que nasceu em São Manuel, começou a freqüentar o seminário menor aos 11 anos, em Botucatu. Seis anos depois, foi para São Paulo, terminar a sua formação no Seminário Central da Imaculada Conceição do Ipiranga, onde cursou filosofia e teologia e teve como colega dom Geraldo Majella Agnelo, arcebispo primaz do Brasil e cardeal da Santa Sé.
Aos 25 anos, foi ordenado padre na Igreja Matriz de São Manuel, a mesma onde foi batizado, recebeu a 1.ª comunhão e o crisma. Logo após sua ordenação, ele foi trabalhar no Colégio Diocesano de Botucatu. E em seguida, atuou durante dois anos em Ourinhos. “Um dia, o bispo dom Henrique Golands Trindade solicitou que eu passasse 15 dias em Bauru para auxiliar um padre que estava enfermo. Fazem 47 anos que estou em Bauru. Deu uma estendidinha”, brinca.
A primeira paróquia que ele assumiu foi a de São Benedito, na Vila Falcão, onde ficou durante 23 anos. Depois, foi designado para a Catedral do Divino Espírito Santo, onde trabalhou por 15 anos, sendo nomeado vigário-geral de Bauru. Em seguida, passou a dirigir a Paróquia de Santa Rita, onde está há 12 anos. “Minha missão de sacerdote é enquanto pároco. Eu fui um dos padres que não tive que trabalhar em outras situações. Eu fui sempre pároco, ou seja aquele que sempre está a serviço das paróquias, vivendo junto e diretamente com o povo. Isto que me deu a razão de vida como sacerdote”, destaca.
Almir recebeu o título de cidadão bauruense em 1992, mesmo ano que recebeu o título eclesiástico de monsenhor pela Santa Sé. Em 2000, em visita ao Vaticano, se encontrou com o Papa João Paulo II. “Quando disse a ele que trabalhava na paróquia e como diretor espiritual da família, ele, muito entusiasmado com a família disse: ‘Leve para o Brasil este carinho muito importante para a sua vida’”, lembra, emocionado.
Nesses 50 anos, monsenhor Almir conta que o trabalho continua o mesmo e revela que ainda se entusiasma ao celebrar missas. “É como se fosse o primeiro dia porque cada missa tem o seu condão. A missa das 7h30 de domingo é para as pessoas de mais idade, mais tranqüila. Depois chega às 10h e é aquela festa com a criançada e à noite tem a juventude do Brasil com a gente. E no sábado, tenho todo o pessoal da família, dos casais”.
Entusiasmo
Nestes anos, o monsenhor Almir revela que mudou a forma de encarar a igreja diversas vezes. “Tive que mudar meu conceito de sacerdote desde a ordenação até hoje, pelo menos umas 10 vezes. Chegam os documentos, os concílios e a gente precisa estudar. Agora, por exemplo, a diocese está em estado permanente de missão. Isto porque o Santo Padre abriu e deu para nós a Conferência de Aparecida, onde somos discípulos e missionários de Nosso Senhor”, conta.
Ele também observa que o perfil do católico mudou. “Eu cheguei a Bauru e encontrei uma igreja um pouco mais retrógrada. O território das paróquias era mais rural e o povo era acostumado a uma vivência mais rural e mais religioso. Agora, a igreja de Deus hoje é mais urbana e este é o desafio de todos os nossos sacerdotes: levar Jesus Cristo a pessoas que moram nas cidades, nestas selvas de pedra”, avalia.
• Serviço
Tríduo em celebração ao 50 anos de sacerdócio será amanhã, quinta e sexta-feira, a partir das 20h. A missa em louvor ao Jubileu será sábado, às 20h, na Igreja Matriz de Santa Rita. Rua São Gonçalo, 3-54, Centro. O telefone é (14) 3223-5000.
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Missas em casas e apartamentos
Para levar a igreja aos mais de 10 mil fiéis de sua paróquia de Santa Rita, o monsenhor Almir José Cogiola celebra missas em apartamentos e casas da área, que vai da rua Constituição até a avenida Getúlio Vargas e da Nações Unidas ao Aeroporto. Ele também foi diretor espiritual do movimento de Cursilhos da Cristandade por mais de 20 anos. “Fiz mais de 150 encontros de três dias cada por cerca de 15 a 20 anos entre as regiões de Bauru, Presidente Prudente, Botucatu. E acredito que isso motivou a volta dos homens à igreja. Antes, só tinha mulher nas missas”, lembra.
Para o monsenhor, uma das tarefas mais gratificantes é a sua dedicação ás famílias não só da paróquia, mas de toda a região. Além disso, ele é diretor espiritual da Pastoral da Família da regional do Estado de São Paulo. E participou de quatro dos cinco encontros mundiais da pastoral realizados nos últimos anos.
Monsenhor Almir também participou da implantação da Diocese de Bauru, em 1964. “Recebi dom Cândido Padim na porta da catedral, quando era vigário geral. Praticamente a minha vida é toda a diocese de Bauru. Eu a conheço de palmo a palmo todas as paróquias e o povo de cada uma delas”, garante.
E ele garante que mesmo após 50 anos, não pensa em parar de trabalhar pela comunidade. “O aposentar-se do padre é se retirar um pouco das incumbências da paróquia. Mas o sacerdócio não tem aposentadoria”, afirma.