Tribuna do Leitor

Servos da vaidade


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Escravos. Não há melhor definição: a ânsia de admiração e elogios dominou-nos completamente. O que um dia era um detalhe a ser pensado, hoje tornou-se o ponto nevrálgico na vida da maioria das pessoas. Sacrifícios são feitos, riscos são corridos, tudo em nome dessa grande senhora que controla seus servos: a beleza.

Ela é cruel. Gasta nosso dinheiro, cansa nosso corpo, em casos mais graves encurta nosso tempo de vida. Em troca, dá-nos uma breve satisfação. Satisfação de olhar-nos ao espelho termos gosto pelo que vemos; de receber elogios e aprecios simplesmente por nossa aparência; de ver outras pessoas e sentirmos a falsa sensação de superioridade.

Mas até que ponto deveríamos deixá-la nos possuir? A verdade é que há muito passamos desse ponto. Chegamos ao limite e ousamos prosseguir além dele. Agora, a volta tornou-se muito mais difícil. Muitos dão mais importância aos aspectos exteriores do que ao que carregamos dentro de nós. Jovens em sua maioria e não em menor número que adultos prefeririam doar sua inteligência e substituí-la por beleza se tivessem essa opção. Logo percebe-se que não muito mais beleza seria adicionada a estas pessoas, pois para escolher fazer tal barganha por livre e espontânea vontade a inteligência definitivamente deve estar em falta.

A preocupação com a aparência não é de todo tola. É importante, sim, cuidar-se, sentir-se bem e com saúde. Mas não é fundamental; não há necessidade de tornar-nos submissos, dar a ela todo valor e tratá-la como única forma de sermos bem sucedidos. Precisamos nos libertar dessa servidão, e, como tudo que há na vida, aproveitarmos do que temos ao nosso dispor na dosagem certa.

Marília Cancian Bertozzo

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