Tóquio - Começou ontem, na ilha de Hokkaido, no Japão, a cúpula anual do G-8, formado pelas sete nações mais ricas do planeta (EUA, Japão, Canadá, Reino Unido, Itália, França e Alemanha) e a Rússia. A reunião deste ano tem uma agenda ampla, com debates sobre a crise econômica, agravada pelo aumento do preço dos alimentos e do petróleo, a ajuda ao desenvolvimento do continente africano e medidas para contornar os problemas ambientais, sobretudo no que diz respeito ao aquecimento global.
A questão ambiental é a grande aposta do Japão, país que preside a cúpula deste ano. O logotipo do evento traz o desenho de uma planta brotando do solo.
A preocupação com os recursos naturais está evidente também no quartel-general da cúpula, que conta com painéis solares, sistema de resfriamento com neve e carros híbridos movidos a eletricidade para o transporte das autoridades que participam da reunião.
O principal debate entre as grandes potências mundiais é a redução das emissões de gás carbônico (CO2), que causam o efeito estufa. A União Européia pediu para que as metas de redução das emissões sejam antecipadas. “Vamos trabalhar para alcançar compromissos reais, não só a fim de reforçar as metas alcançadas no ano passado, mas também visando a um compromisso a médio prazo”, disse José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão da UE.
Na cúpula de 2007, na Alemanha, não houve acordo sobre a redução das emissões de CO2, apenas um comprometimento de que os líderes estudariam as decisões tomadas pela UE, Canadá e Japão. Ao lado da UE, o Japão também quer que haja um corte de 50% das emissões até 2050.
Apesar da pressão desses dois países, o presidente dos EUA, George W. Bush, que participa de sua última cúpula, sinalizou ontem que não pretende aceitar as metas sem comprometimento igual por parte de grandes nações poluidoras, como Índia e China.
África
O primeiro dia de reunião também foi marcado por protestos dos líderes africanos convidados a participar do evento. Eles pressionaram o G-8 para que sejam cumpridas as promessas de ajuda ao continente, onde o aumento dos preços do petróleo e dos alimentos causa ainda mais estragos.
Na cúpula de 2005, na Escócia, o G-8 se comprometeu a duplicar a ajuda à África, que passaria de US$ 25 bilhões para US$ 50 bilhões até 2010. Entretanto, até ontem foram enviados apenas US$ 3 bilhões ao continente, segundo estimativas da organização não-governamental One, criada pelo cantor Bono.
O continente africano voltará à pauta hoje, quando os líderes reunidos concluirão uma declaração sobre a crise política no Zimbábue, após um violento processo eleitoral no qual Robert Mugabe foi reeleito. O G-8 deve anunciar uma série de sanções contra o governo de Mugabe.
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Lula vai ‘vender’ o biocombustível
Brasília - Cansado de ser figurante em encontro dos países mais ricos do mundo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a cogitar não ir ao encontro do G-8 deste ano, que começou ontem, no Japão, mas acabou mudando de idéia. Decidiu continuar sua cruzada em defesa dos biocombustíveis, segundo anunciou a assessoria de imprensa da Presidência da República.
Lula chega à ilha de Hokkaido na manhã de hoje (começo da noite pelo horário de Brasília).
Antes de se reunir com líderes do chamado G-5 (Brasil, China, Índia, México e África do Sul) , terá encontros bilaterais com os presidentes do México, Felipe Calderón, da China, Hu Jintao, e da Coréia do Sul, Lee Myung-Bak.
Enquanto isso, os mandatários dos sete países mais industrializados do mundo (Estados Unidos, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Canadá) mais a Rússia reúnem-se a portas fechadas. Amanhã, será a vez de ouvirem a voz dos países emergentes. A primeira sessão do dia será um café da manhã com o G-5.
Na seqüência, G-8, G-5, Austrália, Indonésia e Coréia do Sul participam da Reunião das Grandes Economias sobre Mudança do Clima -diálogo lançado pelo presidente dos EUA, George W. Bush, às vésperas da reunião do G-8, em 2007, em busca de um consenso sobre o regime de emissões pós-2012.