“Lula gostou muito e autorizou a liberação de recursos”. Esta foi a fala do vice José Alencar ao participar do lançamento do projeto “Cimento Social”, do colega partidário, bispo da Universal e Senador Marcelo Crivella, no morro da Previdência. Crivella, candidatíssimo à prefeitura do Rio de Janeiro, lançou em seu nome o desastroso programa, usando a receita de sempre: gente pobre + político corrupto + promessa + dinheiro público fácil. Até conseguiu de Lula a inconstitucional autorização para que os soldados do Exército fizessem caiação e a segurança do canteiro de obras. O resultado não poderia ser outro: marginais mortos por outra facção por causa do ato irresponsável de um tenente, num imbróglio que lançou o Exército no epicentro da insensatez exclusiva do governo federal.
Os cartazes de propaganda política eram obras de ficção. Num simples arrastar do mouse no PhotoShop, a favela foi toda pintada de azul, verde e amarelo, com os dizeres “como era” e “como será”. Para políticos como Lula e Crivella, não existe o tempo presente: tudo ou foi, ou será. No nosso presente, a favela é um território sem lei, sem presença do Estado, cuja única organização que existe é a criminosa, aliás, vantagem que tem sobre a maioria dos políticos, que são igualmente criminosos, mas desorganizados. No nosso tempo presente, vivemos o desonroso dos políticos preocuparem-se com dividendos de algo que não aconteceu não acontecerá. Noutras palavras, o que interessa é o momento único do palanque eleitoral.
A liberação dos R$ 16,6 milhões para Crivella ocorreu de forma misteriosa, já que o destino das verbas do Ministério das Cidades, criado por Lula, são geridos por municípios, e não pelos parlamentares. Mas, basta um telefonema do comandante-em-chefe e tudo se resolve. É a ainda inacreditável máquina da corrupção trabalhando pelo bem dos parlamentares da base aliada. Brasil, um país de tolos.
Ivan Garcia Goffi - advogado