Cultura

Saindo das telas

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 3 min

Só a entrega dos óculos especiais já era motivo de expectativa. “E os meus óculos de grau, o que faço? Vou poder usar?”, muitos se perguntaram. E foi embalado neste clima de curiosidade que o público embarcou na aventura de “Viagem ao Centro da Terra - O Filme”, estréia que inaugurou, ontem pela manhã, o cinema 3D do Multiplex Bauru Shopping. A sala com essa tecnologia, em Bauru, é a nona existente no País e a primeira do Interior.

“Será o futuro das telonas. Não será pontual como aconteceu no passado, é um formato que veio para ficar. A exibição em três dimensões não é algo que possa ser reproduzido em casa”, aposta o empresário Marcos Silva de Araújo, proprietário do cinema. Além de envolver-se com o enredo das histórias, o uso da tecnologia 3D oferece uma atração a mais para o público: ver os personagens e objetos, por ora, “saírem das telas” e “interagirem com os espectadores”. A diversão aumenta, ainda, a cada susto ou esquivo realizado instintivamente.

A sensação de interatividade, aliás, é o que mais despertou a atenção das crianças. “É bem divertido, parece que estamos dentro do filme”, conta Vinícius Nóbrega, de 8 anos. A novidade, porém, não é motivo de deslumbramento apenas para os mais jovens. “Eu fiquei encantada. Torna-se mais real com o personagem bem pertinho da gente”, diz Maria Ester Nóbrega, ao lado do filho.

Para os desdenhadores de filmes dublados, porém, uma desagradável notícia. Como a de ontem, todas as estréias previstas até o final de 2009, 14 no total, não terão legendas. “A intenção é que o público fique focado apenas na dinâmica e mágica da cena. A legenda dificultaria o processamento de mais uma informação”, explica Olival Miziara, conselheiro do Bauru Shopping.

Além de “Viagem ao Centro da Terra - O Filme”, o Multiplex Bauru Shopping exibirá, ainda neste ano, mais dois filmes com essa tecnologia: “Os Mosconautas no Mundo da Lua” e o show “Hannah Montana & Miley Cyrus - O Melhor dos Dois Mundos”. Para o ano que vem, estão previstas as estréias de “Toy Story 3”, “Carros 2”, “A Era do Gelo 3”, entre outros.

Extrapolando o mundo das animações, filmes “normais” também serão produzidos neste formato. Peter Jackson, diretor de “O senhor dos anéis”, e Steven Spielberg, já manifestaram a intenção de lançar em três dimensões. E James Cameron, diretor do “Titanic”, prepara para 2009 a ficção científica “Avatar”, o primeiro filme feito em uma nova tecnologia de captura de imagem no formato 3D.

Segundo Araújo, esses gêneros de filmes, “mais sérios”, vão investir em produções nas quais a interatividade irá além de objetos “saindo das telas”. “Você vai participar do filme, de fato. Entrar no táxi, no elevador junto com a personagem, por exemplo”, explica.

Óculos

Feitos com lentes de cristal e filtros de luz que permitem ao espectador a visão tridimensional, os óculos especiais têm a função de dirigir as imagens que vão para cada retina. Como o filme em 3D é filmado com duas câmeras, o sistema de exibições também trabalha fazendo duas projeções, uma para cada olho. “É por isso que sem os óculos vemos tudo embaçado, é como se cada projeção estivesse sobreposta à outra”, explica o espanhol José Fiesta, responsável pela escolha da tecnologia.

Os óculos, adquiridos por cerca de $ 50 dólares cada, são esterilizados e recolhidos a cada sessão. “Optamos por um modelo que é um dos mais caros do mercado. Nos Estados Unidos, usa-se muito os descartáveis, mais a qualidade de imagem é muito ruim”, esclarece o empresário Marcos Silva de Araújo. Na porta, um sensor foi instalado para que os objetos não sejam levados como souvenir depois das exibições.

E esclarecendo as dúvidas dos usuários de óculos de grau que vierem a experimentar a visão em 3D, os óculos do dia-a-dia podem ser usados, normalmente, por baixo dos especiais.

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