Economia & Negócios

Faturamento de microempresas cai 12%

Por Gabriel Ottoboni | Com Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Estudo realizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) revelou queda no faturamento do setor no Interior do Estado de São Paulo, resultado que inclui a região de Bauru. O levantamento, intitulado Indicadores Sebrae/SP, revelou redução de 12,4% no faturamento real no comparativo entre o mês de maio deste ano com o mesmo período de 2007, resultado da junção de fatores como calendário reduzido, bom mês de vendas em maio do ano passado e os índices atuais de inflação. Houve ainda variação negativa de 0,8% entre abril e maio deste ano.

O resultado ruim veio após vários meses seguidos de aumento no faturamento do setor, conforme divulgado anteriormente pelo Jornal da Cidade. No placar geral do Estado, em maio deste ano a receita real das micro e pequenas empresas (MPEs) paulistas apresentou queda de 6,9% sobre maio de 2007, resultado que representou perda de R$ 155 milhões. As quedas foram verificadas nos setores de indústria (-12%), serviços (-7,6%) e comércio (-4,3%). A receita total dos pequenos negócios paulistas foi estimada em R$ 20,9 bilhões em maio deste ano.

Na comparação entre maio e abril, a receita real das MPEs paulistas ficou estável. A pesquisa é realizada com base em uma amostra representativa de um universo de 1.326.354 micro e pequenas empresas formais, presentes no cadastro da Fundação Seade. Cerca de 11% encontram-se na indústria de transformação, 57% no comércio e 32% nos serviços. Em conjunto, essas empresas geram postos de trabalho para cerca de 6 milhões de pessoas em todo o Estado de São Paulo.

É realizada mensalmente com o objetivo de avaliar o impacto da macroeconomia no pequeno negócio, abordou 2.716 MPEs no segmento de indústria de transformação, comércio e serviços na região metropolitana de São Paulo, Interior, Grande ABC e também no município de São Paulo. As variáveis de análise contemplaram o faturamento, pessoal ocupado, rendimento dos empregados, gasto total com a folha de salários e a expectativa das empresas em relação a faturamento e economia brasileira.

Empregos

O Interior também apresentou saldo negativo em relação à folha de salário e pessoal ocupado. De acordo com Marco Aurélio Bedê, coordenador da pesquisa, a queda de pessoal ocupado significa que a média de pessoas por empresas diminuiu, o que não se reflete, necessariamente, em demissões. No ano passado, o Interior tinha média de 4,37 pessoas por empresa. Até o momento, o número caiu para 3,88.

“As pequenas empresas estão mais enxutas. Parte desses colaboradores encontrou outra oportunidade no mercado de trabalho, mais interessante”, afirma. Os motivos passam pela ampliação da oferta de emprego em grandes empresas, concursos públicos e crescimento de empresas de pequeno porte. “Esse ano, provavelmente bateremos o recorde de criação de novas empresas”, justifica.

“O emprego total na economia está crescendo e a taxa de desemprego, caindo”, acrescenta Bedê. Nos últimos 12 meses, a variação foi negativa em 11,3%. No período, o rendimento dos empregados subiu 1,2% - passou de R$ 690,00 para R$ 698,00. O valor ainda é menor do que a média estadual (R$ 794,00) observada em maio. Ainda no período, o gasto com a folha de salários (real) diminuiu 14,8%.

Diante do cenário, a expectativa dos empreendedores está menos otimista e apresentou decréscimo. No mês passado, segundo a pesquisa, 35% das MPEs esperavam uma melhora no faturamento nos próximos seis meses, ante 37% no mês anterior. A proporção dos que acreditam em piora na atividade econômica subiu de 4% para 7%.

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O setor

As micro e pequenas empresas representam 99% das empresas formais no Estado de São Paulo. Os negócios de micro e pequeno porte representam 67% das pessoas ocupadas do setor privado formal e não-formal e respondem por 28% da receita bruta do setor formal da economia paulista.

De acordo com a Target, empresa de pesquisas e serviços de marketing, Bauru possuía, em 2007, mais de 15 mil empresas, das quais 8.690 na área comercial, 1.205 indústrias e 5.516 de serviços, com 98% delas podendo ser enquadradas na categoria de micro e pequenas empresas.

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