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Inflação medida pelo IPCA sobe 0,74% e encosta no teto da meta em 12 meses

Folhapress
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Rio - Mais uma vez pressionado pela forte alta dos alimentos, o Índice Geral de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,74% em junho e encostou no teto da meta do governo (6,5%) na taxa acumulada em 12 meses - 6,06%, mais alta marca desde novembro de 2005 (6,22%). O índice fechou o primeiro semestre em 3,64%, a maior variação para o período desde 2003 (6,64%).

Diante de um cenário de inflação de alimentos “disseminada” e de um novo foco de aumento de tarifas e preços administrados, Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE, não considera “improvável” que a taxa em 12 meses chegue ao teto da meta em julho. “Com a continuidade da pressão dos alimentos e uma concentração de reajustes de tarifas públicas e preços administrados em julho não é improvável que a taxa em 12 meses atinja os 6,5% em julho”, disse.

Segundo Nunes, não existem “evidências” de arrefecimento da alta dos alimentos, pois os mesmos fatores que explicaram a pressão no primeiro semestre permanecem: alta das commodities internacionais e aquecimento da economia - o que proporciona repasses de custos.

Adicionalmente, diz, já estão programados uma série reajustes de preços monitorados em julho, como energia elétrica (em São Paulo e Curitiba), taxa de água e esgoto (Porto Alegre, Belém e Fortaleza), ônibus interestadual, álcool - com impacto indireto na gasolina, que recebe 25% do biocombustível - e Gás Natural Veicular (GNV).

Para chegar a 6,5% em 12 meses em julho, o IPCA precisa atingir 0,66%, taxa menor do que a de junho e maio (0,79%). De maio para junho, a inflação só cedeu graças ao recuo de dois importantes na cesta de consumo: álcool (-1,94%) e gasolina (-0,08%).

Os alimentos, por sua vez, subiram 2,11% em junho. Foi a maior taxa desde janeiro de 2003 (2,15%), quando o país sofria os efeitos do choque cambial pós-crise detonada pelas eleições presidenciais. Trata-se ainda da mais elevada marca para um mês de junho em todo o Real.

Nunes dos Santos afirmou que há um quadro de inflação “generalizada” de alimentos. E o pior: “Não há nenhuma evidência que aponte para uma desaceleração no curto prazo”, afirmou.

Com esse cenário, consultorias e instituições financeiras já estimam que o IPCA feche 2008 na casa dos 7%, acima, portanto, do teto da meta.

Segundo Rafael Castro, da LCA, os alimentos tendem a se acomodar “num patamar elevado” no próximo mês e compensar parcialmente a aceleração dos preços administrados. Desse modo, estima, o IPCA ficará em 0,55% em junho. Ele acredita, porém, que o cenário “de inflação mundial” e o alto nível de atividade manterão o índice pressionado neste ano. A LCA prevê alta de 6,8%.

Para Carlos Thadeu de Freitas Filho, da corretora SLW, o aumento da taxa Selic só deve surtir efeito sobre o consumo ao final do ano. Até lá, o choque inflacionário, liderado pelos alimentos, se manterá.

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