O prefeito Tuga Angerami ainda avalia a possibilidade de revogar a lei sancionada por ele que aumentou o perímetro urbano em 1,8 milhão de metros quadrados para a viabilização de empreendimento pelo grupo BR Malls, oficialmente descartado nesta semana. De outro lado, caso o chefe do Executivo decida por encaminhar projeto de lei ao Legislativo, há resistência e divergência na Casa de Leis em relação ao assunto.
O interesse do grupo BR Malls em construir um megashopping nas imediações do condomínio Lago Sul, na saída em direção a Piratininga, na rodovia Bauru-Ipaussu, foi utilizado como argumento para a aprovação do projeto que ampliou o perímetro urbano.
Mas entre quatro partidos representados na Câmara, consultados sobre a possibilidade de revogação, três integrantes opinaram que é preciso aguardar para tomar uma decisão e resistem em retirar a ampliação mesmo com a derrubada do argumento usado para permitir a expansão. Apenas um afirmou que a área incluída no perímetro urbano deveria ser revogada.
Marcelo Borges (PSDB), que apresentou a proposta no ano passado para expansão da zona urbana, afirmou que não é necessário rever a questão porque novos empreendimentos podem surgir. Segundo ele, caso a gleba retorne à zona rural aí sim não haverá perspectivas para o desenvolvimento da área.
Outro ponto abordado pelo tucano é que a proposta do Plano Diretor, que retorna à Câmara nesta segunda-feira, contempla ampliar a área ao longo das rodovias que cortam o município em 500 metros para a instalação de indústrias, comércios, serviços e uso institucional.
Borges critica a atual administração por não ter aprovado nenhum empreendimento nestes quatro anos e quer que a manutenção ou revogação da área incluída no perímetro urbano seja tratada pelo próximo prefeito.
Rodrigo Agostinho (PMDB) disse que ainda não analisou com profundidade se é o caso de revogar a lei municipal. Ele defende que o assunto seja discutido antes com todos os envolvidos. Para o parlamentar, brevemente pode surgir outro grupo interessado em utilizar a área.
Antonio Carlos Garmes (PTB) segue na linha de raciocínio do peemedebista. Ele diz que ainda não possui elementos e informações concretas para emitir uma opinião. Adiantou apenas que, em tese, uma área urbana é mais suscetível de receber investimentos.
Apenas o vereador Primo Mangialardo (PV) defendeu a revogação imediata da lei que estendeu o perímetro urbano em 1,8 milhão de metros quadrados. A justificativa dele é que o procedimento foi adotado especificamente para um projeto. Primo critica também a ampliação do tamanho que foi feita.
Segundo ele, o pedido inicial era 1 milhão de metros quadrados, mas houve acréscimo de mais 800 mil. Para o parlamentar, é provável que ao invés de um empreendimento o terreno seja utilizado para loteamento.
O projeto de lei foi aprovado em setembro do ano passado peloLegislativo, ampliando a área urbana na direção da rodovia Bauru-Ipaussu, em um total de 1,8 milhão de metros quadrados.