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Nova regra será hábito, diz especialista

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Por se tratar de um público mais suscetível a influências externas, é nos jovens que se concentram todas as políticas públicas para desestimular o consumo de álcool, de acordo com o psiquiatra bauruense Sérgio Yutaka Sato, especialista na recuperação de dependentes químicos. Mesmo a contragosto da moçada, ele acredita não levará muito tempo até que a novas regras sejam absorvidas como hábito e garante que, quando isso ocorrer, a queda no número de acidentes no trânsito será drástica.

“Essa mudança na lei pretende resolver uma questão de saúde pública. Mas para que isso seja realmente possível, também serão necessárias outras medidas preventivas, como campanhas educativas, aumento do preço das bebidas alcoólicas e extinção de propagandas de cerveja na televisão”, observa o médico.

Embora reconheça que a publicidade tenha avançado alguns passos rumo a campanhas menos incidiosas, incluindo em seu discurso discretas recomendações do tipo ‘beba com moderação’, Sato afirma que a propaganda de cerveja no Brasil ainda age de maneira bastante antiética com seu principal nicho de mercado: o público juvenil. “Basta observar como as peças publicitárias associam o consumo do álcool a atividades lúdicas, em lugares paradisíacos e na companhia de mulheres deslumbrantes”, salienta.

Apesar de acreditar que ainda haverá uma grande batalha da indústria de bebidas contra o rigor da Lei Seca, o psiquiatra frisa que o principal entrave ainda é a falta de infra-estrutura para fiscalização, em função da escassez de aparelhos existentes para os exames de bafômetro, além de possíveis questionamentos quanto à constitucionalidade da nova norma.

Isso porque a legislação prevê multa de R$ 955,00 e suspensão da carteira de habilitação por um ano para quem se negar a fazer o teste de alcoolemia. A Constituição Brasileira, por sua vez, garante ao indivíduo o direito de não produzir provas contra si.

“Faltou uma melhor organização, talvez um melhor embasamento teórico, para que esta legislação fosse estipulada. A exemplo de outros países, acredito que a Lei Seca inibirá o jovem a dirigir embriagado. Mas antes, é preciso que haja respaldo constitucional para que ela dê certo”, finaliza.

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