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Entrevista da semana: Sirlei Cruz Dias e Elza Cruz Quagliato

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 9 min

Em novembro do próximo ano, uma das mais tradicionais lojas de alta costura de Bauru e região estará completando 30 anos de existência sob o comando das inseparáveis irmãs Sirlei Cruz Dias e Elza Cruz Quagliato.

Com cerca de 38 funcionários entre estilistas, costureiras, serviços gerais e outros, a Maison Desirée começou em um prédio alugado e atualmente, em prédio próprio na quadra 9 da rua Agenor Meira, já está ficando pequena.

A falta de espaço, no entanto, não impede que novos projetos sejam pensados e executados. Uma das novidades deve chegar dentro de dois meses. O setor de roupas masculinas deve deixar a loja e o espaço será ocupado por uma seção de roupas prontas, com preços mais acessíveis em comparação às peças de seda pura feitas sob encomenda. Segundo Sirlei, será uma opção para as pessoas que queiram se vestir com bom gosto sem gastar muito. Enquanto isso, o setor de roupas masculinas ganhará casa nova, na rua Saint Martin.

Quase ao mesmo tempo, a Desirée iniciará um novo serviço aos seus clientes. Com a ajuda de uma caneta especial, será possível exibir no computador o desenho da roupa que o cliente quer e na cor que ele quer.

Será mais uma opção entre as muitas que a loja oferece aos amantes da alta costura, especialmente as noivas. “Quando a noiva entra aqui, ela não sai de mãos vazias, porque nós temos tudo o que elas precisam. Trabalhamos de acordo com o orçamento de cada uma”, afirma Sirlei.

Na entrevista concedida ao Jornal da Cidade, elas contam como foi o início de tudo e de que forma conseguiram e conseguem sobreviver ao mercado sempre competitivo e exigente.

Jornal da Cidade - Como nasceu a idéia de criar a Maison Desirée?

Sirlei - O sonho de ter nosso próprio negócio surgiu quando nós trabalhávamos com o Paulo Medina (dono do tradicional Buffet Capristor).

JC - E vocês sempre trabalharam juntas?

Sirlei - Nós trabalhamos sete anos juntas na Capristor (na época, a loja vendia roupas e presentes). Ao todo, eu fiquei 17 anos lá. Cheguei a gerente da loja. E a Elza, mesmo sem diploma na área de design, tornou-se uma estilista cheia de idéias. Ela criava e desenhava os modelitos.

Elza - E um dia, nós decidimos nos juntar e iniciar um negócio só nosso. Mesmo que uma de nós recebesse uma proposta boa para ficar na loja, o combinado era recusar e levar adiante nosso projeto.

JC - Vocês saíram para concorrer com a Capristor?

Sirlei - Não foi bem uma concorrência, porque o forte da loja não era a confecção de alta costura. Ela vendia mais artigos para presentes. E a nossa idéia era trabalhar com alta costura. E deu certo. Além de Bauru, nós conseguimos alcançar toda a região. Devagarinho, nós fomos construindo nosso próprio negócio.

JC - E vocês começaram onde?

Elza - Começamos em um prédio alugado na esquina da rua Agenor Meira com a Cussy Júnior.

Sirlei - Depois, alugamos a casa que ficava no terreno onde está hoje a loja. Depois de um tempo, nós demolimos a casa e construímos a loja. Durante uns dez anos, a Janete, uma outra irmã nossa, trabalhou com a gente, na coordenação do ateliê de alta costura.

JC - Como todo começo, imagino que o de vocês também foi bastante sacrificado.

Sirlei - Nós íamos de ônibus para São Paulo e Rio de Janeiro comprar tecido, conhecer modelitos novos. Foi uma batalha porque, naquela época, não tinha ônibus tão fácil como hoje. Eram poucos os horários. Às vezes, chegávamos por volta das 9h da noite na rodoviária para sair às 2h da madrugada. Quando participávamos de feiras, nós íamos e voltávamos no mesmo dia porque não tínhamos dinheiro para ficar em hotel.

JC - No início, vocês apenas vendiam roupas? A opção de alugar veio mais tarde?

Elza - No início, nós só fazíamos roupa sob medida para vender. Não havia aluguel. Hoje, alugar roupas é algo comum. Nós temos nossa própria lavanderia. Nós trabalhamos com produtos especiais para oferecer uma assepsia diferenciada. Quem procura uma roupa para alugar quer que tudo esteja muito limpo. Por isso, nós cuidamos das roupas da melhor forma possível, para deixá-las impecáveis. Nosso produto é diferenciado para um público diferenciado.

JC - Depois de quase 30 anos com a loja, vocês se consideram realizadas profissionalmente? Estão satisfeitas com o que conquistaram ou ainda querem mais?

Sirlei - Independentemente de estarmos tanto tempo no mercado, nós não paramos de sonhar. Apesar de acharmos que deveríamos trabalhar menos, temos planos de expansão. O setor de roupas masculinas vai para um outro prédio e nós vamos ocupar o espaço com roupas prontas, com preços mais acessíveis. Vamos dar condições para as pessoas adquirirem uma roupa de bom gosto por um preço não tão alto. Para você ter uma idéia, uma roupa da alta costura passa pela mão de uns dez profissionais. Já o custo operacional da roupa pronta não é tão alto. Dá para vender por um preço bem menor.

JC - Esse é um projeto a curto prazo?

Sirlei - É um projeto que já está sendo estudado e planejado. Mais uns 60 dias e ele deverá ser colocado em prática. Teremos desde roupas infantis até adulto.

JC - Qual o segredo para vocês conseguirem trabalhar tanto tempo juntas?

Sirlei - O segredo é colocar em primeiro lugar o respeito, a perseverança e o amor. Dessa forma, a resposta é sempre boa. Geralmente, o que nós vemos são famílias se engalfinhando. Um querendo tirar do outro. Quando nora, genro, marido começam a querer tomar decisão dentro de uma empresa, não dá certo. Aqui, os maridos só podem dar sugestões, mas quem decide somos nós duas.

JC - E as divergências entre vocês duas é algo comum ou vocês pensam da mesma forma a maior parte do tempo?

Sirlei - Às vezes, discordamos de alguma coisa, mas logo entramos em um acordo. Nós não conseguimos magoar uma à outra.

Elza - Nós somos duas irmãs bem resolvidas. É impossível não ter alguma coisinha, algum pensamento diferente, mas sempre nos acertamos.

JC - Tem algo que vocês fariam diferente se tivessem de começar de novo?

Sirlei - A única coisa que eu penso que poderia fazer, mas acho um pouco tarde, acredito que vou morrer com esse sonho, é exportar nosso produto. Eu gostaria muito de trabalhar com exportação. E nós teríamos tudo para fazer isso. A Elza prefere investir mais na consolidação da loja na região. Mas eu adoraria exportar.

JC - Você acha que não dá mais tempo para fazer isso?

Sirlei - Não é que não dá mais tempo, mas temos tantas outras coisas para pensar, como consolidar nossa marca no Brasil, que a gente vai adiando esse sonho.

Elza - Meu sonho é expandir por aqui. Abrir lojas em São José do Rio Preto, Botucatu e outras cidades.

Sirlei - Eu acho que abrir mais lojas significaria mais preocupação. Se agora não dá tempo de fazer quase nada fora da empresa, se abrirmos mais lojas vamos ter menos tempo ainda. É muita responsabilidade.

JC - E o que vocês fazem para relaxar quando não estão na loja?

Sirlei - Eu faço bijuterias, gosto muito de pintura, com ajuda de professores eu pinto já faz vários anos. Gosto de estar na minha chácara. Lá mexo com a terra, lido com plantas, tenho uma horta suspensa onde planto cebolinha, salsa. Para mim, é uma terapia e tanto.

Elza - Eu adoro pescar, jogar baralho e viajar. Gosto tanto de ficar na chácara que meu marido já reclamou que estamos nos afastando dos amigos de tanto que ficamos na chácara. Depois desse negócio de não poder dirigir depois de beber, nós estamos dormindo lá.

Sirlei - A vida não é só trabalho. Desde que nós montamos a loja foram poucas as vezes que eu me afastei para passear. No fim desse mês, eu vou para a Alemanha, visitar minha filha. Vou ficar lá 35 dias e não quero pensar em mais nada além do passeio.

JC - É a primeira vez que você deixa a empresa por tanto tempo?

Sirlei - É a primeira vez. A Elza uma vez ficou 25 dias fora, mas foi há muito tempo.

Elza - Foi há uns 10 anos, quando fui para a Europa com a minha irmã Janete. Eu adoro passear. Enquanto a Sirlei prefere ficar na chácara, eu quero mais é passear em um shopping, ver as vitrines, conhecer modelos novos. Vou gravando tudo na minha cabeça. Deito e fico pensando naquilo. Uma vez levantei da cama para desenhar um vestido que estava na minha mente, com medo de esquecer. No dia seguinte, levei o desenho para a loja e uma cliente, quando viu, falou para a mãe dela que era o vestido que ela havia sonhado. Eu nunca mais esqueci aquilo.

JC - Qual de vocês duas tem o coração mais mole? Quem se emociona com mais facilidade?

Sirlei - A Elza é mais mole. Eu sou mais durona.

JC - E o que te deixa mais emocionada, Elza?

Elza - Tudo. Eu me emociono com criança, com tudo. Eu choro muito fácil.

JC - E você Sirlei? O que consegue te derrubar?

Sirlei - Não sei.

Elza - Ficar longe da filha (risos).

Sirlei - Eu digo que eu sou mais durona porque a perda te deixa mais forte. Eu perdi um filho de 17 anos em um acidente de moto. Era meu único filho. Depois que ele morreu eu tive uma menina, Ana Elisa, que está na Alemanha e tem 24 anos.

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Perfil

Nome: Elza Cruz Quagliato

Idade: 62 anos

Local de nascimento: Arealva

Marido: Giovanni Quagliato

Filhos: Luiz Américo, Cristiane e Rogério

Hobby: Jogar baralho

Livro de cabeceira: “Os Cinco Minutos de Deus”, de Alfonso Milagro

Filme predileto: “Um Sonho de Liberdade” (1994)

Estilo musical preferido: Música clássica e sertaneja

Time: Palmeiras

Para quem dá nota 10: “Meu marido”

Para quem dá nota 0: “Violência e impunidade”

Nome: Sirlei Cruz Dias

Idade: 61 anos

Local de nascimento: Arealva

Marido: Antônio Fernandes Dias

Filha: Ana Elisa

Hobby: Pintura

Livro de cabeceira: “Os Dez Mandamentos Para Mudar Sua Vida” e “O Código Da Vinci”

Filme predileto: “Tarde Demais Para Esquecer” (1957)

Estilo musical preferido: Jazz e tango

Time: Seleção Brasileira

Para quem dá nota 10: “Minha filha”

Para quem dá nota 0: Corrupção e violência

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