Internacional

Rússia debate críticas sobre os vetos às sanções do Zimbábue

Folhapress
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Moscou - A Rússia rebateu ontem os comentários dos Estados Unidos e do Reino Unido que criticaram o veto de Moscou às sanções das Nações Unidas sobre o Zimbábue. O Ministério de Relações Exteriores russo disse em um comunicado que “não foi permissível” o criticismo que colocou em questionamento o valor da Rússia como um parceiro do G8.

Representantes dos EUA e do Reino Unidos disseram ontem estar surpresos com o veto da Rússia e China sobre as sanções criadas para punir o ditador zimbabuano Robert Mugabe, acusado de aprisionar e matar membros da oposição para garantir sua vitória nas eleições presidenciais deste ano.

O embaixador dos EUA, Zalmay Khalilzad, disse que a Rússia havia indicado que se absteria do voto. “A reviravolta na posição da Rússia é particularmente surpreendente e preocupante”, disse.

“Apenas alguns dias atrás a Federação Russa apoiava o comunicado do G8 que dizia “nós expressamos preocupação sobre a situação no Zimbábue’. A performance da Rússia aqui hoje levanta questões sobre sua confiabilidade como parceira do G8", completou, em um comentário mal visto pelo governo russo.

A Rússia respondeu que a interpretação de seu veto não era permissível porque os membros do G8 concordaram em não mencionar as sanções da ONU no comunicado conjunto sobre a situação no Zimbábue.

“Os representantes americanos e os britânicos, no melhor dos cenários, estão totalmente mal informados sobre a discussão dos líderes do G8 em Tóquio, e no pior caso estão deliberadamente distorcendo os fatos”, disse o ministro.

O secretário de Relações Exteriores britânico, David Miliband, disse ainda que o veto russo “parecerá incompreensível para as pessoas do Zimbábue”. O embaixador americano disse que “China e Rússia ficaram ao lado de Mugabe contra as pessoas do Zimbábue”.

O governo russo diz acreditar que as sanções lançariam precedentes perigoso para como o Conselho de Segurança da ONU resolve seus assuntos internos.

Os membros permanentes do G8, Reino Unidos, França e os Estados Unidos, pressionaram resoluções do conselho condenando a violência e a intimidação nas eleições zimbabuanas.

A África do Sul, Rússia e a China vetaram a decisão de avançar com as sanções.

Contudo, a Rússia declarou que condena “as irregularidades e atos de violência que aconteceram e pelos quais as autoridades zimbabuanas e a oposição são responsáveis”.

O texto impunha ao Zimbábue um embargo de armas, além de um congelamento de bens e de uma proibição de viagens para Mugabe e 13 de seus principais colaboradores acusados de organizar uma campanha de violência política contra a oposição. O embaixador zimbabuano na ONU, Boniface Chidyausiku, qualificou as sanções como uma medida “imperialista” que tenta manipular os resultados das eleições.

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