Cultura

A maior banda de rock do Brasil

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Os críticos de música não gostam do Capital Inicial, os fãs de “rock sério” também não. Dinho Ouro Preto, Flávio Lemos, Yves Passarel e Fê Lemos não parecem nada preocupados com isso. Afinal, eles são, hoje, a maior banda de rock do Brasil. Quem, se não o Capital, reuniria 1 milhão de pessoas na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para registrar um show? Ivete Sangalo e padre Marcelo Rossi não contam.

A banda cumpre agora a agenda da qual vinha se desviando desde que estourou de volta no cenário nacional com o “Acústico MTV”, em 2000: o lançamento de um disco e DVD ao vivo. “Multishow Ao Vivo Capital Inicial” foi gravado em 21 de abril deste ano, no megashow de R$ 2 milhões armado em Brasília, e chega às lojas, agora, em CD e, em breve, em DVD. Aproveitando o Dia Mundial do Rock, comemorado hoje, o especial será exibido no canal pago.

Desde 2000, o quarteto lançou três discos de estúdio e o projeto “MTV Especial: Aborto Elétrico”, no qual revisitou as músicas da banda seminal do rock de Brasília. O único show registrado em disco, até então, era “Capital Inicial Ao Vivo”, de 1996.

“Por um lado, acho uma pena termos demorado tanto para gravar um show para um DVD. Tivemos shows muito bons, com cenários bons, palcos lindos e realmente nunca paramos para registrá-los. Tem várias bandas que lançam dois discos e fazem um ao vivo. Nós levamos anos, mas aí gravamos um puta disco ao vivo, com uma grande produção. Isso não foi fácil, foi trabalhoso, foi um ano de planejamento para colocar tudo de pé. Valeu a pena”, afirma o baixista do Capital Inicial, Flávio Lemos, em entrevista por telefone ao JC Cultura.

Segundo Flávio, havia pedidos da gravadora para um projeto ao vivo, mas a banda se desvencilhava. “Fizemos dois discos (‘Rosas e Vinho Tinto’ e ‘Gigante’) e depois, o projeto do Aborto Elétrico. Saindo dele, quisemos fazer mais um de inéditas (‘Eu Nunca Disse Adeus’), para não ter dois discos, na seqüência, que remetiam ao passado. O Dinho até queria gravar mais um de estúdio, agora, mas eu falei: ‘A gente tem que fazer um DVD ao vivo logo, antes que fique muito velhinho (risos)”, brinca o baixista.

Ele faz questão de frisar que a banda esperava a oportunidade um grande show aberto para o projeto. “Queríamos um negócio para o povo, ao ar livre, então não tinha como fazer em mais de um show. Só refizemos duas músicas, porque invadiram o palco na hora em que o Dinho estava cantando ‘Primeiros Erros’, umas 20 pessoas subiram, e ele continuou até quando deu. Por conta disso, refizemos também a última música, para ter o final”, conta. A invasão do palco acabou virando um extra no DVD.

O resultado na “demora” em lançar o especial ao vivo é a quantidade de músicas novas que entraram no set list e são entoadas em alto e bom som pelo público. Quase 80% são composições lançadas no “Acústico MTV” e depois. Há ainda as inéditas “Passos Falsos” e “Dançando com a Lua”, além de “Mulher de Fases”, dos Raimundos, que a banda decidiu gravar para homenagear as bandas de Brasília. É um hit dos anos 90, período em que o Capital não tem hits.

Com mais de 25 anos de carreira, o Capital respeita seu passado e a força de músicas como “Veraneio Vascaína” (que Dinho diz ter sido censurada, nos anos 80, em algum dos prédios que cercam a Esplanada), e “Geração Coca-Cola”, mas também construiu novos hinos da adolescência brasileira, como “Natasha”, “Mais” e “Como Devia Estar”.

“Acho que somos a banda mais antiga na ativa, compondo, lançando discos... Já tínhamos mostrado os sucessos no ‘Acústico’ e tivemos produção grande de lá para cá. Muitas músicas ainda ficaram de fora. O que é muito bom, temos músicas para um próximo ao vivo com grande repertório”, finaliza Flávio.

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