Internacional

França lança união do Mediterrâneo na presença de líderes do Oriente Médio

Folhapress
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Paris - Numa cerimônia de lançamento de cúpula ontem que selou uma nova distensão entre a Síria e a Europa, a França exortou uma União para o Mediterrâneo formada por 43 países a enfrentar os desafios do século 21, que vão desde a imigração até a segurança energética.

Nos bastidores da cúpula, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, mediou conversações entre os líderes israelense e palestino, Ehud Olmert e Mahmoud Abbas, depois das quais Olmert declarou que os dois lados nunca antes estiveram tão próximos de um acordo de paz.

“A meta desta cúpula para o Mediterrâneo, desta União para o Mediterrâneo, é que aprendamos a nos amar em lugar de continuarmos a nos odiar e a travar a guerra”, disse Sarkozy em coletiva de imprensa concedida com Olmert e Abbas. “O próprio fato de que todos estarão na mesma sala para a mesma reunião já é em si um evento histórico.”

Olmert, ansioso por falar nas perspectivas de paz no momento em que sua permanência no poder é ameaçada pelas sérias alegações de corrupção que enfrenta, disse a jornalistas: “Parece que nunca estivemos tão perto da possibilidade de um acordo quanto estamos hoje.”

O presidente sírio, Bashar al Assad, deveria participar da conferência de abertura da União, juntamente com 40 outros líderes, incluindo Olmert.

É a primeira vez em que líderes israelenses e sírios terão estado na mesma sala. Os dois países recentemente iniciaram negociações de paz indiretas, com mediação turca.

Esse avanço diplomático, além do acordo feito no sábado para trocar embaixadas com o Líbano, pela primeira vez, possibilitou a Assad sair do isolamento ocidental, três anos após o assassinato do ex-premiê libanês Rafik al Hariri, visto por muitos como tendo sido orquestrado por Damasco.

O chanceler francês Bernard Kouchner disse que é hora da região deixar os anos de conflito para trás e forjar laços novos com os países da União Européia para enfrentar os problemas urgentes atuais.

“Trata-se simplesmente de encarar os grandes desafios do século que temos pela frente”, disse Kouchner numa reunião de chanceleres de todos os países envolvidos, antes da cúpula propriamente dita.

A nova organização quer promover projetos práticos com financiamento da União Européia e do setor financeiro, como a limpeza do mar Mediterrâneo, o uso da luz solar no norte da África para gerar energia solar e a construção de rodovias e vias marítimas.

Mas a cúpula de Paris - um sucesso diplomático para Sarkozy, que detém a presidência rotatória da UE - pode ser mais rica em simbolismo que em substância, pelo menos num primeiro momento.

França e Egito serão os primeiros países a ocupar a presidência conjunta do novo organismo, mas ainda não foram resolvidos detalhes como a localização e os poderes de seu secretariado, e os conflitos do Oriente Médio que criaram obstáculos à cooperação passada entre UE e o Mediterrâneo ainda são grandes e ameaçadores.

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