Internacional

Um dos mais importantes seqüestradores das Farc é preso pelos colombianos

Por Folhapress | Com Redação
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Bogotá - A polícia colombiana comemorou ontem a prisão de um chefe da guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), considerado o maior seqüestrador do noroeste do país e que foi apresentado ontem à imprensa na cidade de Medellín.

Trata-se de Guillermo Antonio Úsuga Graciano, conhecido como Tio Pancho, terceiro chefe da frente 34 das Farc, que foi detido no sábado em uma operação especial em Arboletes, no departamento (Estado) de Antioquia.

Segundo o comandante da polícia colombiana, general Óscar Naranjo, Tio Pancho teria sido responsável por pelo menos 88 seqüestros.

Naranjo disse ainda que o rebelde iria ser nomeado, nos próximos dias, comandante da frente 37 das Farc.

A operação que terminou com a captura de Tio Pancho, requerido pela Justiça por delitos de terrorismo, se desenvolveu durante oito meses, segundo as fontes.

“Este sujeito é apontado no departamento de Antioquia (como responsável) por vários seqüestros ao longo dos últimos dez anos. Nossas unidades de inteligência realizaram trabalhos de acompanhamento durante vários meses”, declarou o general.

Contato direto

O governo colombiano disse ontem que já deu os primeiros passos para estabelecer um contato direto com as Farc. Na semana passada, a Colômbia dispensou os emissários de países europeus - Suíça, França e Espanha - envolvidos na mediação para a libertação dos reféns ainda em poder do grupo, alegando que eles haviam se aproximado da guerrilha.

“Já começamos a dar os primeiros passos. Temos um acordo definido internamente e caminhamos nesse sentido”, declarou o comissário de Paz do governo, Luis Carlos Restrepo.

Segundo ele, o importante será estabelecer se há vontade política das Farc para esse diálogo. Caso contrário, o governo seguirá com a ofensiva militar.

Bogotá já deu pistas de que não pretende negociar a libertação dos reféns em troca de guerrilheiros presos. Quer chegar a um acordo definitivo com a guerrilha, nos mesmos moldes do feito em 2005 com a principal organização paramilitar de direita. Nesse acordo, os líderes paramilitares se entregaram individualmente à Justiça.

Crítica de Chávez

Dois dias depois de ter anunciado que “virou a página” dos confrontos com o colega da Colômbia, Álvaro Uribe, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, pediu-lhe que “ponha em seu lugar” o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos. “Se fosse meu ministro, o demitiria|”, disse.

Chávez se mostrou irritado pelo fato de Santos ter posto em dúvida seus compromissos com Uribe, ao dizer esperar que ele (Chávez) “cumpra o acordo e não continue apoiando as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia)”.

O venezuelano disse que o ministro está “atrapalhando os acordos” entre Caracas e Bogotá, disse que Santos é de “extrema direita’’ e o qualificou de “franco-atirador”. “Quem manda nele (Santos) são os Estados Unidos”, afirmou.

Duas horas depois das declarações de Chávez, Uribe pôs no site da Presidência colombiana nota em que afirma esperar “avançar em uma nova era de relações” com a Venezuela e pede aos representantes de seu governo “total prudência para não afetar este caminho”.

Chávez atacou o ministro colombiano em discurso na 5.ª reunião de cúpula da PetroCaribe, organização regional liderada pela Venezuela pela qual 18 países da América Central e do Caribe compram petróleo em condições especiais.

Na cúpula, em Maracaibo, Hugo Chávez defendeu a PetroCaribe de críticas da oposição venezuelana, que o acusa de doar o petróleo do país em troca de apoio internacional. Ele disse que os convênios da organização liberam os países da “chantagem das grandes empresas internacionais’’, que querem evitar a união regional.

À cúpula, o venezuelano propôs que, enquanto o preço do barril de petróleo estiver acima de US$ 100, os países do grupo paguem 40% do que comprarem em até 90 dias e o restante em 25 anos. Atualmente, eles pagam 50% em 90 dias.

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