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Cor da pele da vencedora do concurso de Beleza Negra gera reclamações

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 2 min

O Concurso de Beleza Negra realizado no sábado passado em Bauru foi alvo de polêmica por causa do resultado. Várias pessoas se manifestaram, afirmando que a vencedora “tinha a pele clara” por isso não poderia ter sido escolhida. Em carta ao JC, a estudante Priscilla Aparecida dos Santos Souza relatou que o resultado foi “um desrespeito com às demais candidatas de pele negra e com o público presente”. No entanto, a organização do evento afirma que o requisito para participar não era ter pele escura, mas ser afro-descendente, e a vencedora preenche o requisito.

Segundo Silvio Pereira, membro do Conselho Municipal da Comunidade Negra de Bauru e organizador do concurso, as inscrições foram feitas através de salões de beleza especializados em penteados afro. “O requisito era ser afro-descendente e freqüentar o salão pelo qual foi indicada. Não houve marmelada nem desrespeito, nem poderia haver”, disse.

Pereira defendeu também o corpo de jurados, que fez a escolha. De acordo com ele, todos são capacitados e votaram de acordo com quatro quesitos: beleza, simpatia, comunicação e desenvoltura. “Calhou da menina escolhida ter a pele mais clara. Só por isso ela deveria ser desclassificada? Eu sou descendente de holandeses. Parece? Não. Não é a pele mais escura ou mais clara que determina o que a pessoa é”, disse.

Defensor das cotas e da igualdade racial, Pereira ressaltou que ficou surpreso com a reação das pessoas, afinal, havia outras participantes com a cor da pele mais clara e, obviamente, elas poderia vencer o concurso, como de fato aconteceu. “Ter a pele mais escura não era requisito para participar, por isso não vejo problemas”, destacou.

Para o presidente do Conselho da Comunidade Negra de Bauru, Ademir Elias, a reação do público foi normal, assim como os protestos, mas não se pode criticar a organização do evento por conta disso. “Entendo que é democrático. Se o requisito era ser afro-descendente, não dá para criticar a organização”, frisou.

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