Durante o segundo dia consecutivo, funcionários da rede municipal de saúde não fizeram hora-extra e deixaram os turnos de trabalho com equipe reduzida. A exemplo do que aconteceu anteontem, eles se negaram a trabalhar a mais, já que desde sábado as horas extras não são mais pagas em dinheiro, mas são acumuladas em banco de horas. O atendimento foi menos tumultuado que anteontem, mas os usuários tiveram que ter paciência.
No Pronto-Socorro Central (PSC), motoristas, maqueiros, atendentes e profissionais de enfermagem foram embora assim que a jornada foi encerrada. Só permaneceu no trabalho a equipe já escalada para o turno. Com funcionários a menos para recepcionar os pacientes, além do desfalque de enfermeiros e auxiliares de enfermagem para fazer curativos, aplicar medicamentos e checar a pressão arterial dos usuários, o atendimento ficou demorado.
Aparecida Cesarino, 50 anos, chegou às 10h no PSC. A moradora da Vila São Paulo foi acompanhar seu filho que estava com febre. “São 16h30 e ele ainda não foi atendido. E sem funcionário, acho que vai demorar ainda mais”, lamentou.
A diretora do Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm), Idelma Corral, informa que esperava a edição de ontem do Diário Oficial de Bauru (DOB) trouxesse a revogação da portaria que determinou o acúmulo de hora extra em banco de horas. Como não houve nenhuma alteração, ela explica que o sindicato deverá aguardar até amanhã para tomar alguma medida. “Há uma disponibilidade dos servidores para uma greve”, diz.
Ontem, o prefeito Tuga Angerami comentou que a medida foi motivado pela restrição eleitoral imposta para pagamentos de folha e pelos limites fixados em 180 dias estabelecidos para o período na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
O prefeito disse que pediu aos titulares da Saúde e Administração levantamento sobre o crescimento dos pagamentos de horas-extras para pactuar o que pode ser ajustado tendo como referência o que foi consumido em junho passado, conforme a legislação. “Temos nomeados que não tomaram posse em secretarias e vagas a preencher na educação no período que integram essa conta. Em janeiro as horas-extras somaram R$ 272 mil, sendo R$ 208 mil só na Saúde, que responde por 2/3 do volume. Em junho o valor foi de R$ 338 mil, sendo R$ 256 mil na Saúde. Vamos verificar os dados e os acréscimos que virão nessa despesa com folha, mas a medida tinha de ser disciplinada por portaria conforme a lei”, disse Angerami.