Já diria Adam Smith que um País só progride se industriais e comerciantes prosperarem em suas atividades. Sábias palavras do filósofo e economista escocês. Como em qualquer cidade, o desenvolvimento está intimamente ligado ao potencial de consumo. E o desenvolvimento de Bauru possui fortes relações com o comércio local.
Hoje é o Dia do Comerciante. Trata-se de uma história que teve início na cidade há quase 100 anos e que ganhou importância fundamental na economia local. Em Bauru, o setor é representado em sua história por comerciantes que, ao compartilhar seus conhecimentos entre os familiares, possibilitaram a sucessão dos negócios até a quarta geração.
Há 84 anos, mais precisamente em 1924, o avô de Cássio Carvalho deu início a um negócio que se transformou em um dos estabelecimentos comerciais mais tradicionais da cidade. Atualmente, o bisneto do fundador participa da administração das lojas. Na época, a expansão da alfaiataria ocorreu em razão da demanda, que era maior do que a produção, até então. “A partir daí, ele começou a colocar à venda produtos de fornecedores diferentes. Foi quando surgiu a Casa Carvalho no conceito de hoje”, diz.
Dedicação
Segundo Carvalho, uma das principais características de um bom comerciante é tornar o ambiente agradável para os clientes, além de oferecer produtos de qualidade. Para os iniciantes no ramo, ele afirma que vários fatores são determinantes para o sucesso do empreendimento. “Você tem que saber qual público quer atingir e de que maneira, a faixa etária, sexo, classe social...”, ensina o experiente comerciante, vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib) e da Associação dos Lojistas do Bauru Shopping Center (ALBSC).
Assim como em vários outros ramos, o dia-a-dia da profissão é cansativo, principalmente em lojas com poucos funcionários, onde a presença do gerente ou até mesmo proprietário é fundamental para o bom andamento dos negócios.
Segundo Cássio Carvalho, as principais mudanças da época em que iniciou sua carreira, no final da década de 70, até os dias atuais, passam principalmente pelos produtos. “Antigamente, os produtos eram mais delimitados. Hoje você tem uma gama de mercadorias muito grande”, relata.
Ele se recorda de que, antigamente, não existia a modalidade do crediário. Tudo era marcado na caderneta. “E hoje o crediário está acabando, pois o que está entrando na moda é o cartão de crédito, que é o ‘dinheiro de plástico’”.
E as mudanças não param por aí. “Hoje temos treinamento pessoal para os funcionários saberem como abordar as pessoas, e isso vem evoluindo muito”, observa.
Quanto aos negócios, as perspectivas para os próximos meses são animadoras, embora o fantasma da inflação se faça presente. “Vamos esperar para que volte ao patamar do ano passado”, espera. “Agora o período é de cautela.”
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Homenagem
A lei 2.048, de 26 de outubro de 1953, instituiu o Dia do Comerciante, celebrado anualmente em 16 de julho sem prejuízo ao trabalho normal se recair em dia útil.
A data é uma homenagem ao Visconde de Cayru José da Silva Lisboa, considerado um dos responsáveis pela abertura dos portos brasileiros para o comércio com as nações amigas, em 1808, embora a abertura já estivesse decidida pela “Convenção Secreta de Londres”.