Tel Aviv - O gabinete de Israel aprovou ontem um acordo de libertação de cinco libaneses em troca da soltura ou da entrega dos restos mortais de dois soldados reservistas israelenses. O acordo -aprovado pela ampla maioria, com 22 votos a favor e três contra- deve resultar na libertação, caso estejam vivos, dos reservistas Ehud Goldwasser e Eldad Regev, em troca de quatro integrantes da milícia xiita Hizbollah e do terrorista Samir Kuntar.
Amanhã o serviço israelense de prisões transferirá os presos à fronteira norte do país, onde o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) será o intermediária na troca.
Os presos libaneses só serão libertados após a equipe de identificação do Exército verificar que os soldados ou seus restos mortais são mesmo os militares Goldwasser e Regev.
Se a identificação não puder ser feita no local, os corpos seriam levados a outro local de Israel para um exame de DNA.
A aprovação do pacto já era esperada, apesar do pronunciamento do premiê israelense, Ehud Olmert, que disse anteontem que o Hizbollah havia entregue um relatório “insatisfatório” sobre os esforços para descobrir o paradeiro do piloto israelense Ron Arad, que desapareceu no Líbano há 22 anos, após ser feito refém. O relatório era parte das exigências de Israel.
Israel também devolverá Líbano os restos mortais de 190 integrantes do Hizbollah e de outros libaneses que morreram em diversas circunstâncias enquanto cruzavam a fronteira.
O governo israelense também fará entrega à Autoridade Nacional Palestina (ANP) de vários outros membros de diversas organizações palestinas mortos nas últimas décadas.
O acordo com a milícia xiita libanesa também exige que Israel entregue os resultados de uma investigação sobre o desaparecimento de três diplomatas iranianos e de seu motorista durante a guerra contra o Líbano, entre 1982 e 1985.
As famílias de Goldwasser e Regev intensificaram nesta semana os apelos pela troca de prisioneiros, temendo que as críticas ao relatório sobre Arad pudessem impedir o pacto.
Olmert, que votou a favor da troca em uma reunião de gabinete anterior, concordou com a medida após um período de indecisão. O premiê e o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, reuniram-se com autoridades da segurança para discutir o relatório sobre Arad.
A troca de prisioneiros com o Hizbollah pode dar força às negociações com o grupo radical islâmico Hamas para soltar o soldado israelense Gilad Shalit, seqüestrado em Gaza em 2006. “O desafio de libertar Shalit nos confronta. É muito importante aproveitar a relativa calma na fronteira com Gaza”, afirmou Barak.
Segundo o ministro da Defesa, Israel deve aproveitar a “janela de oportunidade” para avançar nas negociações para a libertação de Shalit. Barak disse ainda que as conversas “não serão fáceis”, já que ambos os lados precisarão tomar “decisões difíceis” para concluir o acordo.