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História simbólica de Bauru


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A história de Bauru pode ser contada sintética e poeticamente através dos referenciais simbólicos e slogans que a denominaram até aqui.

Se fizermos uma pergunta a um urbanista, geólogo, geógrafo ou ambientalista etc sobre quais são as condições naturais e entrópicas para se gerar uma erosão física em um terreno, possivelmente eles dirão: a qualidade do solo existente e as formas como esse solo foram impactadas pelo homem. Uma má condição de solo aliada à sua desproteção, que não receba cuidados de preservação dos elementos naturais como sua vegetação superficial, ou que tenha manipulado a sua superfície de forma a desequilibrar as condições ambientais naturais sem as devidas correções desses impactos, irá certamente oferecer as condições propícias para a criação de grandes erosões urbanas.

Pois isso já ocorreu e está marcado simbolicamente nos slogans que Bauru recebeu do passado e que estamos complementando no presente, pois vejamos:

O slongan inicial de Capital da Terra Branca, segundo depoimento a nós prestado para nossa Tese de Doutorado, em julho de 2001, pelo Editor do Bauru Ilustrado e diretor do então Instituto Histórico Antônio Eufrásio de Toledo, Luciano Dias Pires, nasceu em 1927 por meio do jornalista Shimidt Afonso, que visitou a cidade durante um congresso regional da Noroeste, quando foi vitoriosa a sugestão para a fundação do Asilo da Colônia Aimorés (hoje Instituto Lauro de Souza Lima). O termo dizia respeito às qualidades e cores do chão da cidade, formado por solo arenoso.

O mesmo editor nos relatou que o ex-prefeito Nicola Avallone Junior (Nicolinha), além de ter sido prefeito entre 1956 e 1959, era dono de imobiliária e grande comerciante de terras em Bauru, como muitos políticos ainda hoje. Foi Nicolinha quem adotou o “slogan” e título de “Cidade Sem Limites” para Bauru, título esse originalmente de um poema do poeta Eusébio Guerra.

Ora, o que poderia acontecer com uma cidade com “Terra Branca”, de solo arenoso, que teve um processo de expansão e crescimento imobiliário “Sem Limites” ou sem planejamento sustentável? Certamente que tornar-se-ia uma cidade com muitos problemas ambientais! Não foi à-toa que escolhemos, já em 2001, para título de nossa Tese de Doutorado em urbanismo e Planejamento Urbano na USP o de "Voçorocas do Poder Público: Na lei, forma e gestão urbana na Cidade Sem Limites”.

Agora, temos certeza, por tudo que vem acontecendo nos últimos anos em Bauru, de problemas ambientais, sociais, econômicos, políticos e, portanto, de “grandes erosões” do papel do poder público, que chegou mesmo ao que consta na Justiça à esfera moral e ética levando governantes executivos e legislativos à cadeia; que de certa forma também está representado pela aprovação sem consistência conceitual, econômica, social, ambiental, política e de gestão de um Plano Diretor Participativo, de grandes mobilizações populares iniciais, mas que em 2008 se tornou na Câmara Municipal um plano sem “cabeça e sem pé”; assim podemos denominar para Bauru como slogan para esse período de catarse social que nos encontramos o título de “Cidade das Voçorocas”.

Fecha-se, assim, metaforicamente e simbolicamente, um processo de insusten-tabilidade histórica a partir de seus slogans, ou seja; Capital da Terra Branca, Cidade Sem Limites e Cidade das Voçorocas... Nada mais óbvio, certo!? Mera conseqüência histórica sob uma ótica ambiental, social e política. É possível antever saídas e outros passos mais dignificantes e propositivos para o futuro? Talvez!

Basta uma conseqüente ação de tomada de consciência coletiva, histórica, social e política, que leve de fato Bauru a ser uma Cidade Justa, Democrática e Sustentável; Que mereça ser símbolo da Consciência Humana Sobre a Dignificação da Vida no sentido amplo e que desperte emoções, paixões e novas e “elevadas pulsações” para se constituir de verdade e talvez no “Coração de São Paulo”.

O autor, José Xaides de Sampaio Alves, é professor-doutor do CP - Cidades - Centro de Pesquisa sobre Cidades, departamento de arquitetura, urbanismo e paisagismo da Faac da Unesp de Bauru

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