Tribuna do Leitor

Afro-descendentes, sim!


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Eu, Deize Renata Souza, gostaria de contestar, sobre carta publicada no jornal, devido ao meu tom de pele, a minha etnia e no mais a afro-descendência da qual todas nós participantes desse concurso (“Musa da Beleza Negra”) compartilhamos.

Tenho a ligeira impressão que a jovem Priscila Aparecida dos Santos Souza, que se manifestou indignada com a escolha dos jurados, na Tribuna do Leitor do dia 14/7/08, cometeu um grande equívoco ao ter me julgado diferente das outras participantes devido ao meu tom de pele.

Não vou negar que fiquei encabulada com todos esses comentários, decidindo então me opor diante de tais afirmações feitas por ela. Primeiramente sinto informar que a Priscila teve a infelicidade de comentar que um baile maravilhoso se tornou a noite do terror, uma grande contradição, que de maravilhoso passou-se ao terror devido à escolha dos jurados. E ainda desrespeitando a nossa descendência com a afirmação decadente e triste de que o negro não tem vez.

Sinto em dizer que se ela pensa assim da nossa descendência, eu não penso, e não me cabe essa afirmação inútil. Para mim não há nada mais belo do que assumir que a nossa cor é maravilhosa, e da qual me orgulho profundamente. Na verdade, temos que lutar para estarmos sempre presentes e unidas em todos os tipos de eventos.

Gostaria também de me desculpar com os qualificados jurados que lá estiveram com grande boa vontade para escolher a musa da beleza negra, na qual eu fui a escolhida para representar com muita honra a nossa beleza negra. Mas o final do evento foi tão surpreendente que em vez de ter comemorado com todos, tive que sair às pressas ouvindo palavras de baixo calão. Isso sim foi decepcionante para mim e para a maravilhosa equipe do salão Vilma Cabelo Estética, a quem tive um enorme orgulho de representar no concurso.

Quero deixar bem claro para todos aqueles que se opõe contra mim que a nossa afro-descendência representa variadas cores, umas com mais melalina e outras com menos melalina. Pena que nem todos possam entender que somos realmente da mesma etnia. Os tons de pele infelizmente não agradam a todos. Tudo isso é real e triste, mesmo porque somos constrangidos pelos nossos próprios descendentes em relação a tudo que fazemos, pensamos e falamos. Sem mais.

Deize Renata Souza

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