A entrevista do prefeito Tuga Angerami ao JC, anteontem, foi reveladora. Senti um peso ao abrir o jornal e deparar-me com a matéria. Foi, creio eu, a primeira vez que vi um homem público assumindo publicamente que não conseguiu, que ficou longe da meta. Isso é raro. Alguns outros certamente usariam esse momento para garimpar pequenas pedras e apresentá-las como grandes êxitos. No presente caso, não foi assim.
Oito meses após assumir a prefeitura, aconteceu um encontro com líderes evangélicos, no qual entreguei um documento ao prefeito e em seguida orei por ele. Nesse documento assinalei: “Cremos que o senhor é aquele que Deus escolheu para preparar a cidade para a grande prosperidade que Ele mesmo trará sobre ela em futuro muito próximo. E assim como o rei Ciro, afirmo que o senhor é “ungido” de Deus para propiciar que Bauru esteja aberta ao tempo de crescimento e reconstrução que virá”.
Aqueles que nos conhecem sabem muito bem que este Conselho de Pastores jamais buscou favores oficiais. Suas ações sempre foram pautadas pela legalidade e pela moralidade. Portanto, a manifestação acima não foi busca de favores mas a expressão de quem sabia que Deus estava no controle e que o governo Tuga daria prioridade ao que era necessário – e o fruto a longo prazo seria a prosperidade de Bauru.
É fato que muito ficou por ser feito. Diversos anseios populares ficaram na lista de espera. Decisões impopulares foram necessárias. Mas entendemos assim e transmitimos ao sr. prefeito – “para isso Deus o colocou à frente do Executivo”.
O que faltou? Com certeza, muita coisa. Mas infelizmente o mais importante foi esquecido. E também estava naquele documento: “A Palavra de Deus nos ensina que Ele deseja abençoar cada cidade e cada nação. Mas sua bênção está sempre condicionada a uma aliança que a cidade ou a nação faça com ele. E Deus é cavalheiro – não impõe seus desejos, não força sua vontade – se auto-limita pelas decisões expressas pela cidade em buscar ser abençoada através de uma aliança com o Altíssimo”. E mais: “toda vez que um povo faz aliança com o Senhor Deus, os céus se abrem e o povo é abençoado com paz, prospera e é feliz. Sabedores disso sempre nos mobilizamos para orar pelo senhor e pela cidade”.
O que o deve consolar, prefeito Tuga, é que a cidade foi preparada – os rombos e escoadouros financeiros foram sanados. Medidas de coragem. O que o deve fazer lamentar o prefeito Tuga é que sua administração não fez uma aliança com Deus, como mencionamos deveria ser feita. Muitas bênçãos extras poderiam ser derramadas sobre a cidade, se essa tivesse sido sua decisão.
Que o próximo prefeito (e os próximos também) entendam a lição. Governar é ter a coragem de tomar decisões acertadas, mesmo que não agradem a maioria. E político não faz isso. Governante faz. Mas governar é, também, e acima de tudo, firmar uma aliança formal com Deus em favor da cidade, pelo bem da cidade.
O autor, pastor Edson Valentim de Freitas Filho, é presidente do Conselho de Pastores Evangélicos e Pastor da Igreja Batista Bereana