Pais e responsáveis que levaram crianças para passar por médico no Posto de Pronto Atendimento Infantil (PAI) de Bauru tiveram que aguardar uma média de cinco horas na tarde de ontem. O Jornal da Cidade foi até a unidade às 16h30 e constatou que apenas duas pediatras estavam atendendo durante o período. A situação durante a tarde ficou ainda mais crítica pela quantidade de atendimentos de urgência que as profissionais precisaram priorizar.
Fazia duas horas que Cícera Fernandes de Souza, 32 anos, aguardava atendimento para seu filho Jonathan, 10 meses, que está gripado. Moradora do Jardim Vânia Maria, ela conta que tentou passar por um especialista no Pronto-Socorro do Jardim Bela Vista, mas foi informada que a unidade do bairro não conta com pediatra. “Já vi mães que estão aqui desde o meio-dia, então sei que vou sair bem tarde”, lamenta.
Márcia Regina Madeira, 34 anos, já aguardava o atendimento de sua filha Eduarda, 4 meses, há cinco horas. Ela estava sem almoço e não tinha expectativas de que horas deixaria o PAI. “Saí de casa logo pela manhã, para visitar meu marido que está internado. Depois, vim direto para cá, porque ela (a filha) está com o peito atacado. Mas me falaram que estão atendendo fichas de quem está aqui desde às 12h”, critica.
Richard Ribeiro, 11 anos, não agüentou esperar sua vez e dormiu no banco de alvenaria da sala de espera do PAI. Regina Pereira, sua mãe, conta que está desde às 12h30 aguardando ser chamada. “Ele estava com dor de cabeça, febre alta e diz que está com o coração disparado. Mas do jeito que está, acho que só saio daqui à noite”, lamenta. Eles moram no Núcleo 9 de Julho e tiveram que se deslocar até o PAI, porque a Unidade Básica de Saúde do Bairro está sem pediatra.
Para Letícia de Oliveira Barbosa, esse é o principal problema. Aguardando o atendimento de sua filha Camile Victória, que estava com febre alta, ela conta que também procurou auxílio no PS da Bela Vista. “Lá não tem pediatra. Como que numa unidade daquele tamanho, não tem especialista?”, questiona. Sobre a demora para passar pelo consulta, ela aposta que é reflexo da falta de médicos. “Estou aqui faz mais de três horas e já entraram cinco crianças de emergência. A gente entende que elas são prioridade, mas cadê mais pediatras para o atendimento?” questiona.
Susana Aparecida Rodrigues, 28 anos, mãe de Ana Laura, 2 anos, que tem problemas de alergia, concorda. “Uma médica chegou a ter que sair daqui para acompanhar uma criança até o Hospital Estadual. Sabemos que as urgências são prioridades, mas deixar só uma pediatra aqui não dá”, conta.
Maria Oliveira, 26 anos, moradora do Geisel, fez queixa por escrito sobre a demora no atendimento. “O problema tem que ser resolvido logo. Não dá para ficar com apenas duas médicas, que ainda têm que fazer os atendimentos de urgência. Isso prejudica muito a população que precisa”, destaca.
Questionada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde, por meio da assessoria de comunicação da prefeitura, informou que ontem, o atendimento no Pronto Socorro Infantil estava normalizado, com o serviço de três pediatras. No entanto, pelo menos no período da tarde, o Jornal da Cidade apurou que somente duas médicas estavam atendendo.
Segundo a secretaria, a demora ocorrida durante um determinado período foi devido à entrada de pacientes que, apresentavam situação crítica, a qual exigiu a presença de mais de um profissional para o atendimento individual.