Bairros

Contaminação fará DAEE fechar poços

Por Luciana La Fortezza | Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Quem atualmente utiliza água de poços artesianos em Bauru corre o risco de ser obrigado a buscar outra fonte de abastecimento. O Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), órgão estadual, cancelará as outorgas dos poços com elevada contaminação na cidade, mesmo que haja apenas uma única análise realizada pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE).

A informação foi adiantada ontem por Luiz Otávio Manfré, diretor de recursos hídricos do DAEE, cuja sede na região fica em Birigüi. Na próxima semana, ele deve vir a Bauru, onde será realizada uma reunião com representantes da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e da Vigilância Sanitária. Os dois órgãos, no entanto, ainda serão convocados.

Na pauta do encontro, está a contaminação dos poços em Bauru, cuja dimensão pode ser bem maior do que se imagina. “Alguns estão dando resultados contaminantes. Queremos saber se é coisa isolada ou se tem alguma implicação em alguma região”, informa Manfré. Dependendo do tipo de contaminação, como nos casos de alta concentração de nitrato, o poço não pode mais ser bombeado.

Somente em alguns casos a água é passível de ser tratada. “Essa pessoa, empresa, usuário tem que lacrar esse poço a critério do DAEE. Quando ele é usado, aumenta a poluição”, informa o diretor. De acordo com ele, já existem análises claras de contaminações em Bauru.

“Hoje dá para ter uma idéia de que pode ser que tenha grande quantidade. Aí tem implicações econômicas, políticas, sanitárias. Mas não posso adiantar nada antes da reunião, senão corro o risco de fazer algo levianamente. Mas vejo isso com bastante preocupação”, admite.

O DAEE recebe dados apurados pelo DAE, órgão responsável pelo monitoramento local. A bioquímica do DAE, Giselda Passos Giafferis, que coordena os trabalhos com águas subterrâneas, já realizou estudos sobre o assunto e confirmou contaminação por nitrato acima dos níveis aceitáveis pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

A máxima concentração tolerada para o composto químico é de 10 miligramas por litro de água (mg/l). Mas, de 223 análises de água avaliadas em estudo elaborado por ela, 4,04% apresentaram valores acima do permitido. Conforme o JC divulgou em agosto do ano passado, amostra coletada pelo DAE numa propriedade nas proximidades do entroncamento do córrego da Grama com o rio Bauru atingiu 26,4 mg/l.

O alto índice de nitrato é resultado de um processo de contaminação do lençol freático que pode ter demorado até 50 anos, dependendo da profundidade do aqüífero em relação à superfície. Também segundo publicou o JC na ocasião, trata-se de uma poluição que não possui método para combate imediato e pode levar até 100 anos para ser revertida.

A ingestão em excesso de nitrato pode causar deficiência no processo de oxigenação das células, doença conhecida cientificamente como metaemoglobinemia, que pode levar principalmente crianças à morte.

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Quanto são?

Até o ano passado existiam em Bauru 29 poços pertencentes ao DAE e 320 de particulares cadastrados no órgão. A estimativa, no entanto, era que de existam mais de mil clandestinos. Tanto que a área urbana de Bauru não suporta novos postos, segundo estudo realizado pela Hidro Brasil, empresa contratada pelo departamento.

Para piorar, o Aqüífero Guarani, maior manancial de água doce subterrânea do mundo, responsável pelo abastecimento de 60% de Bauru, dá sinais de alerta. Exatos 10 dos 29 poços profundos do DAE, espalhados pela cidade, já estavam com a vazão comprometida no ano passado. O nível do lençol freático baixou em torno de 30 metros nos últimos anos, uma conseqüência da superexploração.

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