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Defesa do banqueiro questiona ‘atuação atípica’ de Lula no caso

Folhapress
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São Paulo - O advogado do banqueiro Daniel Dantas, Nélio Machado, disse ontem que seu cliente é vítima de perseguição política. Ele citou o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o dos ministros Tarso Genro (Justiça) e Nelson Jobim (Defesa). Ao chegar à PF, Machado disse que Dantas está sendo perseguido por “grupos de poder”. “É visível que o poder está se esfalecendo. Existem pessoas interessadas, e a imprensa toda divulga”, disse, para depois completar: “Fala-se do ministro da Justiça, que passou dos limites razoáveis da atribuição de sua pasta, pois ele disse que já tem um entendimento pessoal de culpa do meu cliente”.

Em entrevista, o ministro da Justiça disse considerar “muito difícil” que Dantas consiga provar ser “inocente”.

Além de criticar as declarações de Tarso Genro, o advogado alfinetou Lula. “Nunca vi um presidente da República convocando reunião para tratar de um assunto como este. Se Lula está insatisfeito com alguém da PF, ele que mude, que altere ministério.”

O advogado do banqueiro afirmou que está diante de um processo político. Questionado sobre a quem interessaria esse processo, disse que a pergunta deveria ser feita ao presidente da República e aos ministros Tarso e Jobim. Segundo ele, os três são “pessoas que têm tido uma atuação atípica” durante a Operação Satiagraha. “Freqüento a Polícia Federal há mais de 30 anos e nunca vi ministro de Estado e presidente da República falando sobre investigações”, disse.

O advogado foi à PF representando Daniel Dantas e mais nove pessoas do grupo Opportunity, entre elas Verônica Dantas, Carlos Rodenburg, Dorio Ferman e Daniele Ninnio.

A orientação do advogado aos seus clientes era a de que eles não respondessem a perguntas. Machado entregou ontem ao delegado Protógenes Queiroz um documento criticando os trabalhos da própria PF, do Ministério Público Federal e do juiz Fausto Martin De Sanctis, classificando-os de “triunvirato acusatório”. “Este documento é um protesto formal com respeito a tudo o que vem ocorrendo neste caso, pré-julgamento do meu cliente, manobra das prisões.”

Ele chegou a chamar as investigações de “devassa medieval”.

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