“Com certas coisas é melhor não se brincar”. Essa frase, que é comum ouvirmos da boca dos mais velhos, seria mais do que verdadeira, segundo estudiosos de fenômenos paranormais. “O doutor Hernani (Guimarães Andrade, bauruense falecido em 2003, considerado uma das maiores autoridades nas pesquisas dessa área em todo o mundo) costumava dizer que espírito é gente sem corpo. Há pessoas boas e ruins, por isso precisamos tomar cuidado quando vamos lidar com o sobrenatural”, explica Carlos Eduardo Noronha Luz, membro do conselho-diretor do Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac).
Nos textos a seguir, o leitor terá a oportunidade de acompanhar com mais detalhes alguns casos de pessoas que foram atormentadas por fenômenos tidos como sobrenaturais. As causas apresentadas em cada um dos relatos estão de acordo com linha de raciocínio daqueles que investigaram ou vivenciaram os eventos.
Na visão dos adeptos do espiritismo, por exemplo, fenômenos de poltergeist ocorrem, principalmente, porque alguém (o epicentro, indivíduo que fornece “energia” para que a entidade atue no plano material) criou conexões mentais com a criatura desencarnada. “Se temos pensamentos ruins, por exemplo, entramos em sintonia com espíritos que cultivam o ódio, a vingança e a revolta”, salienta Luz.
Parapsicólogos, por sua vez, encaram tais fenômenos como manifestações da energia do inconsciente humano. O padre Jesus Bringas Trueba, pároco da Igreja de São Sebastião, na Vila Cardia, em Bauru, que estuda eventos dessa natureza há 25 anos, garante já ter presenciado casos de facas que voavam, objetos que sumiam e reapareciam misteriosamente nos telhados de residências.
“Houve até uma situação interessante, em Jaú (47 quilômetros de Bauru), de esterco que aparecia sobre o sofá de uma casa. Por sinal, o móvel também foi atingido por combustão espontânea, tudo graças à energia psíquica humana”, relata o padre.
Um dos casos que mais chamaram a atenção do sacerdote foi o ocorrido em uma cidade da região (ele prefere não revelar o nome do lugar, em respeito aos envolvidos). “Um ônibus que rumava para o Sul do País sofreu um acidente, e 36 pessoas acabaram morrendo. Isso foi às 5h30 da manhã. Por volta das 5h45, um familiar de uma das vítimas enxergou essa pessoa caminhando em sua direção”, conta padre Jesus.
Seria o espírito da vítima se despedindo do ente querido? Na opinião de Trueba, tratava-se, na verdade, de uma espécie de conexão mental criada entre o indivíduo agonizante e o familiar.
“Todos nós temos uma espécie de antena no corpo - em alguns ela é mais potente, em outros menos. Na certa, a pessoa que teve a visão estava em um estado mental que lhe permitiu criar essa conexão com o parente acidentado. É provável, ainda, que a ligação entre os dois também fosse muito grande, por isso foi possível ao sujeito visualizar o familiar instantes depois de ocorrida a tragédia”, diz o padre. Acompanhe, a seguir, alguns relatos sobre supostas assombrações e poltergeits levantados pela reportagem.