Política

Dom Dimas defende debate, mas prega cautela em apoio

Da Redação
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Ao mesmo tempo que defende que a Igreja Católica promova debates sobre eleição, desde que fora do culto, o bispo Dimas Lara Barbosa, que é secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), prega cautela a apoio a candidatos.

“Os debates são uma prática que levam o eleitor a confrontar as propostas dos candidatos. Agora, outra coisa é a iniciativa de algumas dioceses de fazer verdadeiras prévias. Por regiões pastorais, setores, cidades, paróquias, reunindo as lideranças e indicando candidatos. Esta experiência é mais rara e mais arriscada. Você acaba se comprometendo com determinado candidato. Tem gente que acha que isso dá mais moral para cobrar e fazer com que ele possa agir de acordo com o que ele prometeu”, opina.

Questionado se esta prática, de certa forma, não representa uma intromissão da Igreja no processo, dom Dimas frisa que a CNBB não quer candidatos que defendam somente a Igreja. “Queremos candidatos compromissados com a ética, com a cidadania. São valores fundamentais e universais. Necessariamente não precisa ser da Igreja Católica para ter estes valores”, afirma.

E é neste contexto que o bispo defende o projeto de lei de iniciativa popular que prevê alterações na Lei de Inelegibilidades e barra a candidatura de políticos com ficha criminal.“Voto não tem preço, tem conseqüência. Claro que a nova iniciativa popular não vai trabalhar especificamente corrupção, que cabe ao comitê 9840. Mas é importante pensar que vender o voto a troco de favores vai beneficiar esta máquina interminável”, observa.

Sobre padres candidatarem-se, dom Dimas afirma que, de maneira geral, é contra, mas que há situações que têm de ser analisadas como exceções. “Toda vez que um padre se filia a algum partido ele está dividindo a comunidade, ou seja, aqueles que não são do seu partido não vão ter a sua simpatia”, avalia.

A regra geral da CNBB, explica dom Dimas, é que quanto mais o padre puder ser livre para orientar o eleitor para que ele exerça a cidadania sem precisar constranger pela força moral do padre, melhor. Porém, há casos que aceita e até apóia candidatura de padres.

“Já tivemos casos em municípios brasileiros em anos anteriores em que a situação de corrupção era tão grande que os padres se candidataram e os próprios bispos saíram em defesa deles. São situações localizadas e que não podem ser estabelecidas como regra”, frisa.

Caso seja liberado para candidatar-se, o padre deve se afastar da atividade pastoral durante a campanha, ressalta dom Dimas. “Seria danoso que, além de ser candidato, ele ainda fizesse uso da máquina eclesial para fazer campanha para si. Normalmente, estas pessoas passam a exercer tarefas na Igreja menos formais, menos públicas. Vai celebrar para grupos mais restritos. Não precisa deixar de atuar, mas não convém que fique à frente de uma paróquia. Sempre evitando o partidarismo, a divisão”, completa.

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