Andar pelos bairros de Bauru e não encontrar obras em andamento é praticamente impossível. Em todo lugar, devido ao período de estiagem e da maior oferta der crédito imobiliário, as obras seguem em ritmo acelerado. Como reflexo, é possível se deparar com pedreiros e serventes trabalhando tanto na zona sul quanto na zona norte e pelos lados leste e oeste da cidade.
As centenas de obras de todos os tipos e tamanhos em andamento no município ocupam cerca de 11.500 trabalhadores, entre pedreiros e serventes, segundo cálculos do sindicato da categoria. O dado fornecido pela entidade confirma o que muitos bauruenses já perceberam: está difícil encontrar profissionais para trabalhar na construção civil em Bauru, tanto que já se verifica ‘migração’ de mão-de-obra de outras cidades da região para cá.
“Apesar do número expressivo, nós tínhamos uma expectativa de aumento de procura ainda maior no número de vagas nessa época, mas, infelizmente, obras como a do novo shopping de Bauru não saíram do papel e a euforia prevista para o período foi retraída”, explica Josefino Cândido de Oliveira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e Imobiliário de Bauru e Região.
Somada à falta de mão-de-obra, outra dificuldade é encontrar profissionais com qualificação. De acordo com o engenheiro Marcos Wanderley Ferreira, integrante do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de São Paulo (Crea-SP) e diretor da Associação do Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (Assenag) de Bauru, a maior parte dos trabalhadores da construção civil não é especializada.
“Não temos aqui ou na região um curso que prepare esses trabalhadores de forma adequada. A maioria dos pedreiros em atividade na cidade aprendeu a profissão vendo outras pessoas que também não tinham nenhum preparo profissional trabalharem. Todos aprenderam com os erros e acertos ao longo dos anos”, critica.
Dessa forma, quem contrata um pedreiro e um servente sem conhecer o seu trabalho corre o risco de não receber a obra da maneira que imaginou. “Às vezes, os problemas são tantos que o dono da casa precisa gastar duas vezes para ter o serviço como imaginou”, conta.
Os problemas de se contratar um profissional sem o preparo necessário geralmente são visíveis no acabamento, nas “falhas” da estrutura da obra, que podem ser ainda mais prejudiciais.
Preços
Além de ‘rebolar’ para contratar profissionais, quem pretende iniciar obras neste momento irá se deparar também com materiais de construção com preços mais ‘salgados’. “Os preços estão mais caros cerca de 10% em relação ao ano anterior, isso porque o aumento do diesel e dos pedágios, por exemplo, foram repassado quase de forma integral para o preço final dos produtos”, enfatiza Hélio Joaquini, empresário com 35 anos de experiência no setor.
Segundo ele, há poucos meses, os materiais de construção haviam registrado ligeira queda nos preços, devido à redução dos impostos, mas essa diferença foi ‘engolida’ pelos últimos ajustes de valores das indústrias.
Mas nem mesmo a alta nos preços dos materiais de construção tem assustado que decidiu iniciar a obra neste momento. De acordo com Manuel Gomes, proprietário de uma loja de materiais para construção, a construção civil nunca esteve tão aquecida. “Passamos por um período de hibernação nos últimos anos, mas a fase atual é tão boa que já pode a ser comparada à vivida em meados da década de 80, quando o mercado registrou o seu melhor período”, compara.
Na loja de Gomes, o aquecimento se reflete em vendas 30% maiores em relação ao mesmo período de 2007. “Esse aumento está diretamente ligado ao período de estiagem, propício para construção civil, mas a oferta de crédito e as facilidades do mercado também aguçam o desejo de quem há muito tempo ensaia a construção ou a reforma da casa”, afirma o comerciante, que há 50 anos atua no ramo.
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Por todo lugar
Há pouco tempo, quem fosse construir ou reformar em Bauru possuía diversas opções de lojas de materiais para construção, mas todas localizadas na área central da cidade. Hoje, a expansão do território municipal também se refletiu na ampliação da oferta de estabelecimentos, que podem ser encontrados em vários bairros da cidade.
Outra explicação, essa dada pelos profissionais que trabalham na construção civil, é que no passado se perdia muito tempo no deslocamento do pedreiro até uma loja no Centro. Para facilitar esse trabalho e reduzir o custo de transporte, muitos empresários (entre eles, ex-pedreiros) passaram a investir nos bairros em moravam, provocando a pulverização da oferta do setor.
Hoje, segundo Hélio Joaquini, empresário do setor há 35 anos, Bauru conta com mais de 500 lojas que comercializam materiais para construção. Algumas oferecem apenas o básico, outras o acabamento, material elétrico e tubos e conexões “Hoje, cada bairro de Bauru possui, em média, sete estabelecimentos que comercializam material de construção”, afirma.