Considerada a maior companhia de gás do mundo e com operações em mais de 100 países, entre Europa, Ásia, Oceania e Américas, a Linde AG, com sede em Munique, na Alemanha, quer expandir os negócios no Interior paulista, o que inclui a unidade de Bauru.
O anúncio foi feito na última segunda-feira, na sede da empresa no município. De acordo com José Fernando Rodrigues, diretor de business e chairman da Linde, há planos de diversificar as operações no Interior. “A região é promissora para os negócios da empresa”, avalia.
Em razão disso, na unidade bauruense, localizada no Distrito Industrial 1, estão sediadas a área comercial, de distribuição de gases e uma estação de enchimento de oxigênio, argônio, dióxido de carbono e misturas à base de argônio e dióxido de carbono.
Foram investidos 500 mil euros (cerca de R$ 2 milhões) na instalação predial e equipamentos do Distrito Industrial 1. São aproximadamente 7 mil metros quadrados de área total e 2 mil metros quadrados de área construída.
A unidade localizada em Bauru venceu fortes concorrentes para a viabilidade de investimento em razão da logística e potencial de crescimento do setor industrial. “Acredito que foi uma decisão correta”, defende Rodrigues.
Foi com base na questão logística, aliás, que o grupo definiu suas primeiras ações na cidade. Quando iniciou as atividades aqui, em 1989, a sede era na avenida Cruzeiro do Sul. Nessa época, a companhia atuava apenas na revenda de gases. Agora, com a estação de enchimento localizada no Distrito Industrial 1, a Linde armazena cerca de 120 mil metros cúbicos de gases por mês, com capacidade de ampliação de acordo com a demanda.
“O que motiva os investimentos é o fato da região estar crescendo bastante, e o que está alavancando isso é o agrobusines e a parte de mecânica”, diz Rodrigues. Na região, os principais clientes da companhia são a Volvo (em Pederneiras), Embraer (Botucatu), Coca-Cola (Marília) e usinas de cana-de-açúcar, principalmente as pertencentes ao Grupo Cosan. “Toda a geração de notas fiscais fica para Bauru”, diz, sobre um dos benefícios da empresa para a cidade.
O chairman afirma que a empresa está satisfeita com os investimentos feitos na região. “Temos a certeza de que iremos crescer mais. Por isso, não descartamos aumentar o numero de filiais no Interior, a partir de projetos de biodiesel e biocombustível. Não será surpresa se anunciarmos para o próximo ano filiais próximas a Bauru”, antecipa-se o chairman.
Expansão
O plano de expansão da empresa prevê investimentos locais e em toda América do Sul, principalmente no Brasil, considerado país-foco no continente. A iniciativa teve início há dois anos com a construção de novas fábricas e filiais em territórios nacional, além do aumento da capacidade de produção das fábricas já existentes. O resultado foi a aprovação de instalação de quatro novas unidades fabris – três no Rio de Janeiro e outra em Camaçari (BA), onde o investimento será de R$ 100 milhões.
Para Rodrigues, o mercado de gases industriais amplia-se de forma rápida e sustentável desde o ano passado. “O gás está presente em tudo e alguns segmentos estão crescendo, como siderurgia, química, petroquímica e também a área de celulose. Uma reserva que demora 40 anos para crescer na Europa, leva apenas seis no Brasil”, compara.
Em termos de operação no País, a intenção da empresa para o próximo ano é de dobrar de tamanho (hoje são 30 filiais) e faturamento. “Não queremos somente vender o gás. Temos um grupo de engenheiros trabalhando em novas aplicações de desenvolvimento de gás e como melhorar sua aplicação, para que os clientes tenham um diferencial para diminuir seu consumo. Com isso, mantemos a fidelidade e uma relação de longo prazo.”
Em razão da projeção de crescimento, a América do Sul e em especial Colômbia, Peru, Chile e Brasil são grandes pólos de investimentos da companhia. “Porém alguns aspectos nos preocupam, como as condições do País em gerar energia elétrica”, aponta Rodrigues, que acredita, porém, na capacidade do atual governo em investir em infra-estrutura.
Já países como Bolívia, Venezuela e Argentina exigem reflexão no momento de aprovação de investimentos em virtude do regime de governo praticado atualmente. “Quando a iniciativa privada é afetada por decisões governamentais é um risco e nenhuma multinacional vê isso com bons olhos”.
Em 2000, a Linde comprou a AGA mundialmente. Em algumas regiões, o nome antigo foi mantido em virtude de estratégias de marketing, como em países da América do Sul e da Escandinávia. “Em 2006, fizemos a reversão para a marca mundial, que é Linde”. O plano inicial para Bauru e região prevê a atualização da identificação visual da filial com a logotipia Linde.