Segunda maior cervejaria do Brasil – atrás apenas da Ambev, que lidera a participação no mercado nacional –, o Grupo Schincariol aposta na linha de cervejas fabricadas artesanalmente para conquistar o paladar do público de Bauru e região. Os produtos, que integram a linha premium e são produzidos em escala reduzida, serão distribuídos através de uma rede de distribuição já existente na cidade.
A empresa reestruturou seu canal de vendas para selecionar os principais clientes das regiões previamente estudados e introduzir as cervejas, disponíveis atualmente apenas em grades centros do Brasil.
“O potencial de desenvolvimento da região e do público que tem poder para consumir esses produtos é muito grande”, afirma Mário Medina, diretor de canais e casas especiais do grupo Schincariol, sobre a escolha do município, após levantamento de praças em todo o Brasil.
Além da Baden Baden, com nove tipos de cervejas, três novas marcas serão comercializadas. A catarinense Eisenbahn, com 14 tipos de cerveja, e a carioca Devassa, além da Nobell, de Pernambuco (PE), esta última já encontrada em supermercados da região.
“Esses produtos que chegarão aqui continuarão sendo produzidos em suas plantas originais. Criaremos uma força-tarefa para trazê-los a Bauru”. A Tripel, cerveja forte escura da linha Baden Baden, terá edição limitada e apenas 5 mil unidades comercializadas.
Para tanto, a Schin estuda parceria com diversos estabelecimentos da cidade que se transformarão em pontos de venda exclusivos para a comercialização das cervejas. O local escolhido será considerado o embaixador da marca em Bauru. Outros municípios também estão no foco de expansão das bebidas.
Fruto de um arrojado projeto de marketing que começou no início do ano com a campanha “Pega Leve”, a empresa aposta na presença em eventos de moda e gastronomia. Em Bauru, por exemplo, algumas marcas já estão disponíveis no mercado local. O deck de uma loja que comercializa produtos nacionais e importados é a principal bandeira do portifólio da Baden Baden. “O ritual do consumo de cerveja artesanal é muito próximo do vinho, pois ambos combinam com diversos pratos”, define o diretor.
A estratégia para concorrer com outras marcas é adequar a característica dos produtos a pontos comerciais específicos e que consigam carregar consumidores que “se presenteiam com esse tipo de bebida”. “Por mais que se tenha uma gama grande de marcas, a empresa tem a maior carta de cervejas especiais (artesanais) do Brasil. Cerveja é um produto muito democrático”, sustenta Medina.
Aquisições
Outra estratégia para alavancar a participação da empresa no mercado passa pela aquisição de novas fábricas, explica o gerente do grupo de cervejas especiais, Juliano Mendes, em entrevista por telefone. Em maio, a Schincariol anunciou a compra da Eisenbahn, microcervejaria localizada no município de Blumenau (SC) e voltada para a produção de cervejas na categoria premium. É considerada a cerveja brasileira mais premiada no Exterior. Em 2006, a Schin já havia adquirido as marcas Baden Baden, Nielsen e Devassa.
Com a nova compra, a meta é alcançar faturamento de R$ 20 milhões. A produção atual é de 1,8 milhão de litros/ano. “Todas essas marcas serão comercializadas na cidade”, afirma. Mendes preferiu não comentar a compra da americana Anheuser-Busch, fabricante da Budweiser, pela InBev, que rendeu à cervejaria belgo-brasileira o título de maior do mundo em relação à produção e receita.
O Grupo Schincariol possui capital 100% nacional e 14 unidades industriais espalhadas pelo Brasil. Está entre as 20 maiores cervejarias do mundo, com capacidade de produção de 4 bilhões de litros por ano (eram 2,1 bilhões em 2005), 255 distribuidores e 630 pontos-de-venda no Brasil. No ano passado, a empresa obteve receita de R$ 4,5 bilhões em vendas.
Dando continuidade ao processo de reorganização iniciado em 2005, quando a empresa foi acusada de sonegação fiscal pela Receita Federal, Fernando Terni, ex-Nokia, assumiu a presidência executiva da Schincariol no ano passado. Logo de cara anunciou investimentos de R$1 bilhão para este ano.
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Diretores são ‘da casa’
Responsáveis no Grupo Schincariol pelas visitas aos estabelecimentos comerciais, Mário Medina (diretor de canais e casas especiais) e Alison Gaiarim (gerente de desenvolvimento e serviços – canais especiais) possuem vínculos com Bauru que excedem a área profissional. Ambos se formaram pela Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Medina saiu de Jaboticabal para se formar em relações públicas, em 2003, pela Unesp de Bauru. “A cidade é muito acolhedora para universitários e preparada para esse público”, define. Gaiarim, de Catanduva, cursou engenharia mecânica. “É muito bom voltar para a cidade e ver como Bauru está evoluindo, além de rever pessoas da época de faculdade.” Carlos Daré, que integra o grupo, é gerente de canais especiais.