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Acidentes na construção civil triplicam no trimestre

Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 3 min

Nos três primeiros meses deste ano, o setor da construção civil em Bauru registrou nove acidentes de trabalho, número três vezes maior que no mesmo período do ano passado. A informação é do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (SindusCon), com base em dados do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) de Bauru, e que realizou, na semana passada, a Mega Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (MegaSipat) voltada às empresas associadas ao sindicado.

Apesar do aumento no número de acidentes na construção civil, não foi registrada nenhuma morte durante o trabalho. Envolveram-se em acidentes três carpinteiros, dois pedreiros, um servente, um armador e um azulejista – a função do nono trabalhador acidentado não foi informada. As partes do corpo mais atingidas foram membros superiores e inferiores.

De acordo com o técnico em segurança do trabalho Nelson Matias Pereira, que integra o programa de segurança do SindusCon, o número de acidentes de trabalho está diretamente ligado à quantidade de obras. “Quanto mais obras, maior a chance de acidentes”, explica. “Parece que Bauru estava com poucas obras no ano passado e isso é um fator que deve ser considerado. O número oscila até mesmo na capital em razão do dinamismo do mercado”, comenta.

Em 2006, em Bauru foram registrados 15 acidentes de trabalho na construção civil; em 2005, 13 e em 2004, 43, de acordo com o SindusCon. Durante a semana de prevenção a acidentes, trabalhadores da construção civil tiveram palestras, ações lúdicas, jogos interativos e cenas teatrais.

As atividades têm por objetivo passar conceitos que contribuam para a prevenção de acidentes e doenças ocupacionais, para estímulo e o aumento de produtividade, a integração entre empregados e empresários da construção civil. Também visam transmitir conhecimentos e técnicas sobre a prevenção de acidentes, higiene, medicina, segurança do trabalho e meio ambiente.

Para Pereira, levar informação e gerar consciência no trabalhador para questões como saúde e segurança do trabalho diminuem o risco de acidentes. Os acidentes mais comuns na construção civil são queda do andaime, choque elétrico, soterramento e o trabalhador ser atingido por objeto.

Mas Pereira ressalta que as novas tecnologias ajudam a diminuir os riscos da profissão. Um deles são as cancelas metálicas nos elevadores – há dez anos, eram utilizadas cancelas de madeira. “Não havia um dispositivo na cancela do elevador que o impedisse de abrir”, explica. No trabalho de manutenção de lâmpadas, por exemplo, utilizam-se escadas hidráulicas e não mais andaimes. “Atualmente há gestão de riscos para financiamentos e ainda não se faz isso para a questão da segurança”, compara.

Segundo ele, a principal dificuldade no momento é melhorar os equipamentos de proteção individual (EPI), que são aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). “Temos que verificar o que é fabricado e colocado no mercado, pois esses materiais não estão garantindo a integridade do trabalhador”, frisou.

Já o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Bauru pondera que são registrados apenas acidentes de trabalho fatais ou graves. “Acidentes corriqueiros não são registrados porque as empresas não avisam o INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) e preferem pagar o dia de trabalho parado a dizer que teve acidente”, relata Aloísio Costa, diretor do sindicato. O objetivo, segundo ele, é pagar menos pelo fator previdenciário.

Costa afirma que há empresas que não cumprirem a norma regulamentadora 18, específica para a construção civil. “(As empresas) Têm que dar bota, refeitório, mas elas não seguem isso. Falta muita coisa para cumprirem à lei”, finaliza.

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