Tribuna do Leitor

A raça negra tem vez sim


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Talvez esteja ocorrendo algum equívoco, ou a nossa colega Priscila desconhece o tema que tenta discutir. A cor da pele não significa raça e, portanto, nada tem haver se no concurso da beleza negra, dentro as descendentes afro-brasileiras, superou as demais concorrentes aquela de fenótipo “menos representativo”.

O fator de ocorrência é meramente biológico, e pelo que estudamos o genótipo da raça negra é dominante, e num casamento multirracial, onde um dos parceiros é negro, sabemos que a probabilidade de ocorrência da prevalência do fenótipo da raça negra será sempre maior, veja: AA x aa = Aa – Aa -aA – aA. Veja no caso das descendências posteriores: Aa x Aa = AA – Aa – aA – aa, portanto, somente genótipos cujos fenótipos não são dominantes. Assim, cai por terra o sofisma de quem prega o embranquecimento e fim da raça negra.

De outro lado, o que ocorre refere-se à cultura, onde a temos não porque queremos mais por influência do meio em que vivemos. Um subconsciente coletivo discriminatório nada tem a ver com tradição e sim com cultura. Neste caso, não podemos confundir discriminação com tradição.

E neste caso não trata-se de discriminação e sim de cultura. Entenda: se fosse um concurso de rainha de bateria, por tradição, o fenótipo prevalente deveria ser um dos requisitos de escolha, portanto, sempre buscado nos concursos dessa natureza; porém, não é o caso do concurso de beleza negra.

Diante de uma cultura discriminatória, o que não temos, Priscila, é representatividade, e isso é uma questão de cultura e não de raça. Porém, o subconsciente coletivo em referência a essa questão vem mudando gradativamente no mundo, e culturas diferentes nada tem a ver com supremacia ou prevalência de fenótipos raciais.

E se você buscar aprofundamento, verá que as coisas estão mudando mesmo, que a cultura de valorizar o que é seu e nato, sempre através do conhecimento do trará a formação de um juízo eficiente e mais prevalente, fazendo com que o patriotismo seja o meio mais eficiente de preservar a cultura de um povo.

O tema é polêmico, ninguém gosta de evidenciá-lo, porém, encarado como um fenômeno explicado cientificamente, é salutar e gostoso discuti-lo, desmistificando eventuais equívocos culturais. Cultura é cultura, tradição é outra coisa.

Valdemir Pereira, advogado

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