O corpo da comediante Dercy Gonçalves, que morreu sábado no Hospital São Lucas, em Copacabana (zona sul do Rio), aos 101 anos, foi velado ontem na Assembléia Legislativa do Estado do Rio. O velório seria fechado ao público às 18h e reaberto às 7h de hoje. Nestor Lopes, presidente do museu dedicado à Dercy em Santa Maria Madalena, seu município natal, informou que o enterro foi marcado para as 12h de amanhã.
Na cidade da região noroeste fluminense, a cerca de 200 km do Rio, o velório deve começar no fim da tarde de hoje, no Clube Montanhês. Dercy será enterrada no dia de Santa Maria Madalena, padroeira da cidade e da qual a atriz era devota. A comediante costumava dizer que gostaria de morrer no dia da santa.
Pouco antes do enterro, às 10h, está marcada uma missa de corpo presente na igreja matriz da cidade. A celebração terá a presença de um coral, que cantará em homenagem a Dercy; antes disso, às 6h, a banda da cidade tocará o hino nacional.
Durante o velório em Madalena, está prevista também a execução do samba que a Viradouro criou em sua homenagem em 1991: “Bravíssimo - Dercy Gonçalves, o Retrato de um Povo”. Segundo a filha de Dercy, Dercimar, este era um dos pedidos da mãe para quando morresse. “Ela tinha garra pela vida e não jogou a toalha nunca. Com ela não tinha esta história de ter 100 anos”, afirmou Dercimar nesta manhã. A filha da comediante ressaltou que Dercy teve uma morte tranqüila. Segundo ela, tudo aconteceu de forma rápida.
“Foi bom ser muito rápido. Ela não merecia ficar muito tempo doente internada no hospital”, afirmou. Dercimar contou que a mãe, assim que chegou ao hospital, disse que queria ir embora logo.
Filha de um alfaiate e de uma lavadeira, que a abandonou e aos seis irmãos pequenos, Dolores Gonçalves Costa, nome de batismo de Dercy, fugiu de casa aos 17 anos para se incorporar a uma companhia de teatro instalada na cidade de Macaé (litoral norte do Estado do Rio).
A estréia teatral de Dercy aconteceu em 1929, na cidade de Leopoldina, na Zona da Mata de Minas. Dercy estrelou seu primeiro filme, “Samba em Berlim”, em 1943.
Com mais de 20 filmes e novelas em seu currículo, a humorista foi uma das pioneiras do palavrão na televisão brasileira. Entre as novelas de que participou estão “Que Rei Sou Eu?” (1989) e “Deus nos Acuda” (1992), da TV Globo.
Ela completou 101 anos oficiais no último dia 23 de junho. A comediante costumava dizer ter dois anos a mais que a idade oficial, pois seu pai teria demorado para registrá-la.
A atriz Marília Pêra, que esteve presente no velório da atriz e comediante Dercy Gonçalves, disse que vai sempre se lembrar da amiga com “uma grande gargalhada, um grande deboche”. Marília vai dirigir um texto de Maria Adelaide Amaral sobre Dercy. “Não dá nem para ficar triste. Mesmo na hora da morte eu acho que a Dercy traz uma alegria para a gente. Para chegar a essa idade, ela dizia que a receita era trabalhar e saber dizer não. Dizia que ia morrer quando ela quisesse. Eu tenho a impressão que agora ela quis.”
O cantor Aguinaldo Timóteo também esteve no velório e lembrou de quando cantaram juntos num programa de televisão. “Ela era minha rainha. Cantamos e rimos muito. Só espero que os brasileiros nunca esqueçam de Dercy”. O cantor e compositor Billy Blanco e o ator Stepan Nercessian também prestaram homenagens à humorista.