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Inverno favorece cirurgias plásticas

Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 3 min

A chegada do inverno provoca uma corrida desenfreada aos consultórios médicos por homens e mulheres que pretendem corrigir algum defeito ou simplesmente melhorar a aparência. O período compreendido entre os meses de julho e agosto é o mais procurado para quem deseja fazer algum tipo de cirurgia plástica. É o que afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), João de Moraes Prado Neto.

Segundo o médico, os dias frios favorecem o período pós-operatório, uma vez que há redução do inchaço na área operada. O mês de julho também é favorável ao repouso dos pacientes em razão das férias - em muitos casos - e da diminuição do contato com o sol. Em seu consultório, no entanto, o mês de janeiro também costuma registrar altos índices de procura por cirurgias, embora o clima não interfira necessariamente no resultado final. “Desde que o cirurgião tenha competência para fazer (a cirurgia), isso é o mais importante. O fato de fazer em janeiro ou julho altera timidamente a evolução do edema”, observa Prado Neto.

A cabeleireira Janet (preferiu não divulgar o sobrenome), 54 anos, aprovou a intervenção cirúrgica pela qual passou no último dia 26. Ela realizou uma abdominoplastia (plástica de abdome) em razão de excesso de pele e gostou do resultado, após pagar cerca de R$ 7 mil pelo procedimento. “Se soubesse que seria tão bom, teria feito antes”, afirma. Ela, que está afastada do trabalho, ainda sofre com a impossibilidade de realizar certos movimentos, como dirigir, e precisa do auxílio da família para se levantar e deitar. Nada que tire o prazer de ver no espelho uma nova mulher, como ela própria se define atualmente.

No seu caso, uma cirurgia no verão seria prejudicial em razão das duas cintas comprimidas por uma faixa na região operada. “No calor, isso ficaria insuportável, pois só tiro para tomar banho”, explica. Os pontos serão retirados gradativamente. “A mulherada do salão está de queixo caído”, se diverte, sobre o resultado final. “Toda mulher é vaidosa e quer se sentir bem”, conclui.

Confirmando a tendência de que mulheres são as que mais procuram por esse tipo de procedimento - correspondem a 70% dos pacientes operados -, o médico afirma que até 30% das cirurgias que realiza em seu consultório são feitas em homens. “Antigamente era muito raro isso acontecer. Tinha que tirar uma fotografia para mostrar”, brinca. O contingente masculino que opta por cirurgia plástica prefere operações no nariz, pálpebra e lipoaspiração. Em relação às mulheres, os procedimentos estão concentrados em nariz e aumento de mama com silicone.

Como em toda cirurgia, Prado Neto afirma que os riscos são iguais a qualquer outro procedimento cirúrgico. “O paciente não pode receber a promessa de resultados”.

Indagado sobre se qualquer área do corpo humano é passível de cirurgia plástica, ele afirma que a rotina do médico inclui procedimentos como nariz, pálpebra, pescoço e abdome. “Há pacientes que chegam aqui com tornozelo gordo e querem uma lipoaspiração, porém, não dá para fazer isso”.

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Números

O Brasil só perde para os Estados Unidos em número de cirurgias plásticas. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), foram realizados cerca de 700 mil procedimentos somente no ano passado. A diferença entre os americanos é de apenas 15%, porém, o número de habitantes e a condição financeira da população daquele país são maiores.

Dentre as preferências dos brasileiros estão a lipoaspiração, aumento ou redução de mama e cirurgias na face. No Brasil, 70% das cirurgias são feitas em mulheres. Adolescentes entre 14 e 18 anos respondem por 15% das cirurgias. A faixa etária que mais opta por esse tipo de procedimento está entre 25 e 55 anos, em ambos os sexos.

São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro são os Estados em que a população mais faz cirurgia plástica. No Estado de São Paulo, a Capital lidera o ranking, seguida por Campinas, Santos e centros como Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. Existem 4.200 cirurgiões credenciados pela SBCP, sendo que 1.500 atuam no Estado de São Paulo.

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