Tribuna do Leitor

“Direito ao futuro”


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É lamentável assistir matéria na TV onde toca a situação dos velhinhos nos asilos, ou casas de repouso, sendo maltratados por pessoas que não têm consideração e respeito pelo ser humano. É claro que existe bons asilos, mas na maioria deles esses “profissionais” que são pagos para cuidar deviam ter no mínimo sensibilidade para sentir na pele, o que é estar na condição de uma pessoa dependente, e que precisa de cuidados especiais.

É natural que o idoso, depois dos sessenta anos, na maioria dos casos, passa a ter um comportamento atípico junto aos familiares, muitas vezes se torna agressivo, outras vezes calado, fragilizado, limitado físico e mental. A nossa vida é cíclica e os efeitos da velhice são irreversíveis, não podemos fugir disto. Surdez, mãos trêmulas, disfunção orgânica, são sintomas visíveis que passam despercebidos ou mal compreendidos pela família, que prefere chamá-lo de rabugento, chato, e, às vezes, até de burro.

Os filhos, a grosso modo falando, tratam o idoso como um ser incompetente, principalmente quando o convívio na família inclue o genro ou a nora. E o que revolta ainda mais é saber que depois de trabalhar durante toda a vida, criar os filhos, às vezes até os netos, e ainda passar os bens para os descendentes para no fim ser “descartado”, como se fosse um peso para a família. Quantos velhinhos estão abandonados pelas ruas, à mercê de toda sorte, com uma sociedade preconceituosa que, por questões sociais, prefere ignorá-los a dar um pedaço de pão.

É inaceitável o isolamento e o esquecimento dos filhos, que os idosos passam enclausurados num cubículo onde a distração é ver os dias passarem lento e gradual. Convivendo com este desprezo, abandono, o velhinho já não vislumbra mais o desejo de desfrutar o tempo que lhe resta e, assim, desta forma, se vê num canto, num estado de alienação total, com os olhos perdidos, incapaz de reconhecer sons e vozes, se definhando num estado extremo de sofrimento. Tem que existir uma lei que assegura aos idosos o direito a receber um amparo e alimentação dos próprios filhos, até o final de suas vidas, o que é nada mais justo. O idoso precisa de atenção, compreensão, e sobretudo, de carinho. Filhos, estendam as mãos. Pensem nisto!

Paulo Roberto dos Santos - RG 12.172.566

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