Economia & Negócios

Inadimplência cai 13% no semestre

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

Uma boa notícia para comerciantes e consumidores: o número de pessoas incluídas no cadastro do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) de Bauru caiu 13,37% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2007. A queda dos números se acentuou após os três primeiros meses deste ano, quando a diferença em comparação ao mesmo período do ano passado era de 6%.

De janeiro a junho, 20.351 pessoas foram incluídas na lista de inadimplentes do SPC, contra 23.493 no primeiro semestre do ano passado. O mês de maior incidência de inclusões (nomes que são acrescentados à lista do órgão) foi fevereiro, com 3.241 registros. No ano passado, o mês de março foi o campeão do período, com 4.322 inclusões.

Em compensação, o número de consumidores que saíram (exclusões) das listas do SPC manteve-se estável no primeiro semestre deste ano. No total foram 20.696 pessoas que “limparam” o nome, contra 20.991 no ano passado.

Segundo o economista Reinaldo Cafeo, as inclusões no Serviço de Proteção ao Crédito podem ter caído por diversos motivos: as pessoas estão mais comedidas em relação ao consumo, a situação de renda da população melhorou, as empresas estão mais rigorosas na concessão de crédito, mas, ao mesmo tempo, podem estar mais abertas às negociações das dívidas antes da inclusão.

“Eu diria que é um pouco de cada coisa. Nós temos, efetivamente, uma melhoria na condição de renda da população, as pessoas conseguem equilibrar o orçamento e as empresas estão mais receptivas, em alguns setores, em relação à concessão de crédito”, frisou.

Outro ponto que o economista acredita ser importante é o fato do comércio de Bauru estar mais aberto aos cartões de crédito, algo que não ocorria anteriormente. De acordo com ele, em várias lojas não se utilizava o cartão de crédito e em determinado momento começaram a utilizar como forma de pagamento. “As lojas firmaram convênios com as empresas de cartão e isso transfere o risco para essas empresas. Há estabelecimentos que não faziam parcelamento nesta forma de pagamento e passaram a fazer. Quando isso acontece, é uma parceria entre o lojista e a operadora. O lojista recebe à vista, ou na forma que contratou, e o risco da operação passa a ser da administradora, que não usa o SPC local”, destacou.

Tendência de queda

Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bauru, Sérgio Evandro do Amaral Motta, a tendência é de que o número de inadimplentes continue caindo. De acordo com ele, um dos principais fatores para essa diminuição no número de inclusões é a cautela que os comerciantes têm na hora de efetuar a venda. “Podemos verificar que o número de consultas dos lojistas ao SPC também cresceu”, destacou.

De fato, pelos números do SPC de Bauru, no primeiro semestre deste ano os comerciantes fizeram 842.327 consultas ao órgão. No ano passado, esse número foi de 835.907 no mesmo período. Isso demonstra que, realmente, os lojistas estão mais cuidadosos antes de conceder crédito aos consumidores.

Motta faz coro ao economista Reinaldo Cafeo quando fala sobre a utilização do cartão de crédito. De acordo com o presidente da CDL, os convênios firmados com as administradoras têm deixado os comerciantes mais tranqüilos. Ele ressaltou ainda que os clientes não estão comprando tanto com cheque e carnê, o que facilita a vida dos lojistas.

“O pessoal tem se conscientizado que é um mal muito grande não pagar as contas, porque o prejuízo é enorme para o consumidor, que acaba sendo penalizado de uma maneira brutal perdendo o crédito, o que é muito ruim para a pessoa”, frisou.

O presidente da CDL também ressaltou que a entidade mantém uma recuperadora de crédito, onde são feitos acordos para ajudar consumidores e comerciantes. Segundo ele, isso tem facilitado bastante para a pessoa que não conseguiu pagar suas dívidas. “Esses acordos permitem que a pessoa, pagando a primeira prestação, fique com o nome liberado do SPC”, disse.

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