Há alguns anos, mais ou menos em 1993, fomos passar o Carnaval acampados na beira do rio, mais precisamente na Ranchonete Sucuri, na cidade de Pongaí. Saímos daqui de Bauru em cinco companheiros no sábado bem de manhã; montamos o acampamento com aquelas lonas pretas.
Ficou tudo bem arrumado, com os colchões no fundo, traia de cozinha na entrada, churrasqueira na frente e a mesa de truco bem no meio, até parecia uma casa de veraneio de gente fina. No cair da tarde, lá pelas 17h, apareceram mais três amigos: Denil, Gilson e o famoso Mario Chumbado - só pelo apelido já dá para imaginar o amigo que chegou bonito na fita.
Toma uma latinha aqui, uma caipirinha bem docinha lá, de vez em quando um uísque para dar mais alegria... Quando alguns desceram para a beira do rio e viram uma redinha armada com alguns peixinhos enroscados, foi aí que nosso amigo chumbado teve a idéia de tirar alguns para fazer fritos e tomar com cerveja.
Mas como o castigo foi grande, uma piranha pegou seu dedo e arrancou um lapo e lá veio o amigo sem graça, com o dedo sangrando e pedindo para que nós fizéssemos curativo. Lá pelas oito da noite, fizemos churrasco e o jogo de truco comia na mais alta temperatura. Comemos bastante e bebemos bastante também.
Nessa altura, o nosso amigo Chumbado já estava pra lá de Bagdá. Logo que fomos dormir, o amigo começou a vomitar dentro do acampamento, mais parecia um cachorro selvagem africano regurgitando para seus filhotes. Eu, Álvaro e Gilson, seu cunhado, limpamos o acampamento e tentamos dormir novamente, já que os outro companheiros foram dormir nos carros.
Mas não é que meia hora depois aconteceu tudo de novo? Só que dessa vez o amigo se lambuzou todo com seu próprio vômito. Eu e seu cunhado tivemos que dar banho no sujeito; só que a água que tínhamos era de galão: um segurava e o outro jogava e assim conseguimos limpar o amigo e colocar roupa limpa.
Tudo acabado, o amigo dormiu tranqüilo o resto da noite enquanto nós dois passamos a noite em claro, pois o acampamento estava molhado e fedido. Lá pelas nove da manhã, o amigo acordou, deu uma boa espreguiçada no meio de todos e disse: “Que noite maravilhosa, dormi como um anjo. Nem tinha pernilongo!”.
E, se Deus quiser, o ano que vem estaremos de volta.
Álvaro Braitt é pescador e contador de histórias.