Ossos humanos espalhados pelo corredor do cemitério, ao lado do túmulo onde haviam sido sepultados. Esta foi a cena que um coveiro do Cemitério Cristo Rei, localizado no Parque Roosevelt, em Bauru, deparou-se ontem de manhã, quando chegou para trabalhar. O jazigo foi violado, provavelmente por vândalos em busca de objetos de valores, como jóias e ouro em dentes do morto.
Administrado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), o Cemitério Cristo Rei tem a frente fechada por muro, mas além de não ser alto – facilmente transponível – os fundos do terreno tem apenas cerca, com buracos grandes. Sem guarda à noite, como nos demais quatro cemitérios municipais, os vândalos não encontram dificuldade para entrar na necrópole.
O jazigo violado pertence a Sebastião Alves de Jesus e lá estão sepultadas quatro pessoas de sua família – a última, um rapaz, foi enterrado na terça-feira passada, segundo informou Luiz de Campos Alves, filho de Jesus. “Mas no caixão dele não mexeram”, contou ao JC. Os restos mortais encotrados espalhados pelo chão estavam acondicionados em um saco, enterrado mais ao lado, a cerca de 1,5 metro de profundidade, num procedimento comum em jazigos do tipo gaveta, usado para sepultamento de várias pessoas da mesma família.
Para ter acesso ao saco com os restos mortais, os vândalos estouraram a “porta” do jazigo, que é de cimento. Como a placa com a identificação da pessoa morta, que fica no saco não havia sido encontrada até ontem à tarde, a família Alves ainda não sabia de quem são os restos mortais violados. Luiz, que esteve no local e verificou a violação, acredita que nada tenha sido levado pois nenhum dos mortos teria sido enterrado com objeto de valor.
Reclamando da falta de segurança no cemitério, ele contou que esta é a terceira vez que o jazigo da família é violado. “Das outras vezes, levaram vaso, argola. Minha família nem coloca mais adereços porque tudo é roubado”, frisou. Assim como a Emdurb, a família Alves registrou boletim de ocorrência relatando a violação. Agora, estuda entrar na Justiça para cobrar indenização à Emdurb pelo prejuízo e dano.
“Compramos o terreno, pagamos a taxa de sepultamento, que é de R$ 44,00. Depois pagamos a taxa de exumação, que é de R$ 56,00 (para colocar os restos mortais no saco e liberar o jazigo para novo sepultamento) e não temos nada em troca, nem limpeza dos túmulos nem segurança”, questionou. Para Luiz, o cemitério deveria ser fechado de maneira a garantir a segurança das sepulturas.