Só quem mora em casa alugada sabe como é difícil conseguir um fiador. Depender da boa vontade de um parente ou amigo que tem imóvel próprio é complicado. O pagamento de um seguro locatício, uma alternativa ao fiador, é dispendioso. Mas o lançamento de um cartão de crédito para o pagamento de aluguéis, alternativa que a Caixa Econômica Federal (CEF) deve lançar em breve, poderá ser a saída que muita gente espera para essa dificuldade. E pelas projeções do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), o cartão pode até estimular a queda dos valores dos aluguéis.
Anteontem, o vice-presidente de governo da CEF, Jorge Hereda, anunciou em Brasília, durante entrevista coletiva, que o projeto do “cartão aluguel” já está pronto. O lançamento da novidade ainda não tem previsão, pois há alguns obstáculos tecnológicos a serem superados. O governo federal também não adiantou detalhes da data do lançamento nem sobre taxas e tarifas.
Porém, a alternativa é aguardada com interesse tanto pelos locatários quanto pelas imobiliárias. Em visita ao Jornal da Cidade, o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, afirmou na tarde de ontem que o cartão aluguel é uma proposta que a entidade apresentou em 2004 à CEF. “Foi um pacote de medidas chamado Favela Zero, que ofereceu uma série de propostas para o problema da habitação do País. Quase todas foram acatadas. E a do aluguel está sendo apresentada agora”, diz.
Viana Neto destaca que o cartão é a garantia de aluguel mais barato. “O seguro fiança locatício é muito caro e muitas pessoas se vêem impedidas de usar. E ainda tem muita gente que acaba morando em favelas, por exemplo, pagando um aluguel alto porque não tem como apresentar fiador”, observa.
O dirigente explica que com o cartão, a CEF pagaria o valor do aluguel às imobiliárias e os clientes pagariam a fatura do cartão ao banco. “Dessa forma, elimina a necessidade de garantia como depósitos, fiadores. Pessoas que não têm renda formal e têm o cartão de crédito pessoal podem ter o cartão aluguel”, observa.
Wânia Pôrto, delegada do Creci em Bauru, avalia que a novidade pode beneficiar muita gente na cidade. “O impacto será bastante positivo. A auto-estima melhora, a pessoa se sente mais digna, porque não precisará mais de avalista, não se prende à fiança”, pondera. Outro público que deverá se beneficiar da novidade é o universitário. “Para os estudantes, que têm dificuldade em arrumar fiador em Bauru geralmente tem que conseguir na sua cidade, será muito bom”, destaca Pôrto. Ela avalia que como o cartão será vinculado à CEF, todos sairão ganhando. “A imobiliária tem a garantia do aluguel e o período do contrato. E o valor pode ter queda porque o investidor se sente seguro”, pondera.
Para a diagramadora Margarida Aparecida Gomes, o cartão aluguel resolveria um problema que enfrenta há quase dois meses. O apartamento onde mora foi vendido e, apesar de já ter encontrado outro lugar para morar, não consegue resolver o problema da fiança.
“O seguro é muito caro e minha amiga que era a fiadora do apartamento também vendeu seu imóvel e não pode me ajudar”, conta. “Esse cartão resolveria o problema de um monte de gente. Mesmo se for necessário pagar uma taxa, ficará mais barato que o seguro ou um caução. Além disso, você não vai precisar depender de mais ninguém”, avalia.
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Encontro
O presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana Neto, esteve em Bauru ontem convidando os corretores que atuam na cidade e região a participar do Encontro de Líderes do Mercado Imobiliário do Estado de São Paulo, que será realizado no dia 12 de agosto, no Hotel Transamérica, em São Paulo.
No evento, serão discutidos procedimentos da entidade e distribuído manual com padronizações aprovadas pelo conselho para os grupos de trabalho do Creci no Estado.