Chocolate e doces em geral, frituras, massas e outros alimentos calóricos que favorecem o ganho de peso são apontados pela nutróloga Eline de Almeida Soriano como os preferidos de quem sofre com a compulsão alimentar. São os alimentos considerados “proibidos”.
Ela conta que geralmente o descontrole alimentar vem seguido de uma “ressaca moral”, constituída de sentimentos de culpa e reprovação pelo exagero cometido. Segundo Eline, para que esses episódios sejam considerados uma doença, têm de se repetir com uma freqüência mínima de duas vezes por semana durante seis meses. A vontade de comer deve ser encarada como compulsão quando é acompanhada de uma sensação de descontrole diante do alimento. “O indivíduo se sente incapaz de conseguir parar de comer”, diz.
Mas por que o exagero? Na avaliação da também nutróloga Daniela Hueb, pessoas que trabalham muito ou sofrem com o estresse, muitas vezes, se dão de presente um alimento saboroso e hipercalórico por ter passado um dia cansativo. Pode-se também usar a comida para preencher algum vazio interior ou para compensar a baixa auto-estima. “Se a pessoa passa a se alimentar excessivamente, sem ter fome, aí ela deverá procurar ajuda de um psicólogo ou psiquiatra”, orienta.
Daniela conta que tem pacientes compulsivos que comem até o que não gostam, apenas pelo prazer de comer. Segundo ela, uma orientação nutricional e medicamentos naturais podem controlar casos mais leves. Em níveis mais avançados, a ajuda da psicoterapia é indispensável.
Para o psiquiatra Evandro Luís Borgo, a compulsão alimentar pode estar ligada a diversos fatores. Entre eles, estariam a questão genética, o meio onde a pessoa vive e circunstâncias da vida (sempre ligadas a aspectos emocionais). “Tem pessoas com carência afetiva, que se sentem solitárias, e buscam conforto na comida.”
Borgo ressalta que, em alguns casos, a compulsão pode ser sintoma de alguma outra doença, como a depressão e a ansiedade. “Quando essas doenças são tratadas, os sintomas desaparecem.” Segundo ele, quem mais sofre com esse tipo de transtorno alimentar são as mulheres, por causa de toda a preocupação que elas têm com a estética.
Quando se fala em reeducação alimentar, a mudança de hábito deve incluir uma dieta pobre em carboidratos refinados, presentes no pão, massas, arroz, farinha, doces e salgados entre outros “alimentos brancos”, segundo o consultor nutricional Valdomiro Rebelloto Júnior, 33 anos.
Por outro lado, alimentos ricos em proteína, como carne magra, ovos, queijo e leite, entre outros, estão liberados. De acordo com Valdomiro, o ovo passa a representar risco à saúde quando associado a outro alimento rico em carboidrato.