Tribuna do Leitor

Do you speak english?


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Você pode responder esta pergunta de várias formas, entre elas: Yes, I do. No, I don´t! Rapaz, mais ou menos. Desculpe senhor, o quê? A comunicação é algo importantíssimo nas relações de qualquer natureza. Na família, na escola, nos negócios, entre nações, entre políticos, entre casais, entre animais, entre células e até entre jogadores de qualquer esporte. Quanto melhor a comunicação, mais fácil é a sua relação, a sua concordância ou discordância. A clareza de uma opinião depende muito da forma que esta é comunicada.

Uma língua universal, que possibilita todas as entidades se comunicarem, é algo muito importante, e o inglês é atualmente a língua que faz este papel, bem ou mal, de forma bonita ou feia, a opinião é de cada um.

A minha intenção é propor uma reflexão sobre nosso atual momento cultural/social, no quesito comunicação e entendimento. Admiro muito os estadunidenses em várias áreas. Percebam que para negócios o êxito deles é fantástico. Analisando o porquê disto, verificamos que eles estudam muito a área em que atuam, criam regras, as seguem, o que é fundamental, as aperfeiçoam e estando rentável, as espalham. Great! Let’s make business! Uma fórmula simples e fantástica.

Em qualquer lugar onde os estadunidenses estão, esta fórmula é aplicada obtendo ótimos resultados. Eles estão em praticamente todos os lugares e áreas. Pense em qualquer área bem desenvolvida ou rentável. É bem possível que eles já aplicaram a fórmula e você nem imagina que foram eles. Entre outras áreas, na TV, na internet, no rádio, na aviação, na hotelaria, nos restaurantes, nas igrejas de várias denominações, nas bolsas de valores, na saúde, nos carros, e no que de agora em diante pretendo focar, na música e na cultura.

Eita, esta área de música e cultura é muito subjetiva, hein?! Pois é, mas mesmo assim, vamos analisar. Para refrescar a memória, transcrevo novamente “a fórmula” esta-dunidense: estudam muito a área em que atuam, criam regras, as seguem, as aperfeiçoam e estando rentável, as espalham.

Há pouco mais de um ano percebi que enjoei de ouvir inglês, o principal motivo foi que sempre ao ligar o rádio ou assistir à MTV, os principais ícones estadunidenses em evidência faziam nossas crianças e adolescentes adorar o jeito maloqueiro e “fora da lei” de ser, de se expressar e de se vestir. Além de ser praticamente impossível ouvir esta língua, sem pensar nos trejeitos que quem a fala utiliza, como em “Ow, really?”, olhos esbugalhados e muita movimentação bucal.

Como na primeira pergunta que fiz, eu responderia, “rapaz, mais ou menos”, muitas partes das músicas em inglês eu entendo, e tenho a certeza absoluta que se fossem em português, é bem provável que existiriam comoções para não serem veiculadas tais mensagens.

Exemplos: “Eu te levo à loja de doces, eu a deixo lamber o pirulito, Vai menina, não pára,...” (50 Cent, Candy Shop), Beautiful! Mas esta é leve, outra um pouco mais eletrônica: “Se você quiser ser rica, você ter que ser vadia”. Ou da sempre em evidência e cantada até por criancinhas na escola, Madona: “Como uma virgem, Tocada pela primeira vez”. Um pouco mais pesado, “Iron Maiden, quer você morto” (Iron Maiden, Iron Maiden). Pensei, “em Bauru temos 4 principais rádios FM, certeza que ao mesmo tempo uma delas tocará música em outro idioma que não inglês”. Triste engano.

Percebi que ou temos músicas em inglês, ou instrumental/eletrônica feita por estadunidenses, o que me gerava o mesmo desconforto, ou em bem menor quantidade músicas em português. Quando o programa era de música POP, o negócio piorava, porque além de não querer ouvir as músicas em inglês, as em português eram quase insuportáveis.

Aqui, você deve se perguntar, será que “a fórmula” também funciona na cultura? Desde quando esta fórmula é utilizada na música para nós termos este total domínio de músicas somente em inglês se we don’t understand english very well? O domínio de músicas em inglês não é exclusivo do Pop, pelo o contrário, em todos os níveis culturais musicais o business funciona. É bem possível que a música influencia pensamentos e comportamento.

Diante deste panorama, podemos nos perguntar, nossa cultura é a estadunidense? Devemos querer que seja? Se você respondeu, “sim” e as outras culturas que se lasquem, great, my american friend, mas se você respondeu “não, imagina” nossa cultura é muito rica, além do mais, não existem só músicas em português e inglês, existem diversas línguas neste mundo, tais como, espanhol, francês, alemão, russo, mandarim, papiamento e dentro de cada língua há um universo de sonoridades a ser explorado e ouvido. Alternativo. Já perceberam que na música, o que não é estadunidense é chamado de alternativo ou música mundial?

Pense bem o que isto significa. Até para nós que mal entendemos inglês, o certo é ter tudo em inglês, se quisermos algo diferente de inglês, temos que buscar no alternativo, senão ficamos sem alternativas. Como diria Raul: “Viva a sociedade alternativa!”.

Saulo Bertozo Pereira - RG: 34.855.392-4

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