Na recente vitória jurídica do caso Valorama, louve-se em primeiro lugar o trabalho de prestigiosos advogados bauruenses Ailton Gimenes, Darcy da Luz e outros. Todavia, além da nostalgia que o caso provoca e do regozijo que toma conta dos investidores, veio-nos à memória um fato curioso.
Na época, eu e Darci fundamos a Assival – Associação dos Investidores da Valorama. Nossas reuniões pareciam comícios da queda da Bastilha, congregando desde fazendeiros e profissionais liberais até operários braçais como faxineiras, pedreiros, empregadas domésticas e outros. Para a realização dessas reuniões, que congregavam 500 pessoas ou mais, procurávamos instituições amplas e até mesmo barracões. No fim da noite, quando a diretoria se reunia para o balanço diário, sempre havia alguém a dizer:
- Coitado do dono! Nos emprestando graciosamente esse barracão, com todas essas luzes acesas! Já imaginaram o que ele vai pagar de energia elétrica?
E assim foi. Até o dia em que o fiscal do Banco Central nos fez chegar às mãos um formulário contínuo que ele descobrira em outra casa bancária com a relação dos investidores. Como não tínhamos sede, nossas reuniões de fim de noite eram inevitavelmente realizadas em pizzarias e instituições congêneres. E estava o secretário abrindo aquela verdadeira maçaroca de formulário contínuo, muito mais extensa que as correspondências de Pero Vaz Caminha, quando alguém diz:
- Olhem o nome do dono do barracão! Ele também é investidor.
E o nosso tesoureiro:
- Então está explicado o gasto com energia...
Rui Bertoti