Bagdá - Explosões ocorridas em uma peregrinação xiita em Bagdá e em um protesto curdo no norte do Iraque mataram ontem ao menos 50 pessoas e feriram mais de 200. Os ataques foram um golpe à crescente confiança pública iraquiana com relação aos recentes ganhos de segurança, que baixaram a violência aos menores níveis no país em mais de quatro anos.
A violência começou em Bagdá, quando três mulheres-bomba explodiram no meio de uma multidão de peregrinos xiitas, matando ao menos 28 pessoas e ferindo outras 92. As explosões das suicidas aconteceram logo após uma bomba ter explodido ao lado de uma estrada. Os ataques foram realizados quando dezenas de milhares de peregrinos se dirigiam em direção ao santuário de Kadhamiya, a noroeste da cidade.
Os ataques em Bagdá aconteceram no distrito xiita de Karradah. “Por volta das 8h (2h de Brasília) três mulheres suicidas se detonaram entre os peregrinos”, afirmou o principal porta-voz militar iraquiano em Bagdá, o brigadeiro-general Qassim al Moussawi, em um comunicado colocado em seu site na Internet.
Este foi o ataque mais sangrento desde o dia 17 de junho, quando um caminhão-bomba matou 63 pessoas em Hurriyah, um bairro de Bagdá onde já foram realizados alguns dos piores confrontos entre xiitas e sunitas em 2006.
Os ataques ressaltam a fragilidade dos recentes ganhos de segurança no país. O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al Maliki, tem progressivamente encorajado empresas estrangeiras a ir ao Iraque nos últimos meses, citando o crescente aumento do Exército que tem sido capaz de manter a paz com a mínima ajuda dos EUA.
Nenhum grupo assumiu a responsabilidade pelas explosões em Bagdá, mas peregrinos xiitas têm sido alvo freqüente de militantes sunitas da rede terrorista Al Qaeda, que consideram o ramo xiita da religião herético.
As explosões, aparentemente coordenadas em Bagdá, romperam com meses de relativa calma na cidade e aconteceram apesar do forte esquema de segurança montado por causa da peregrinação anual xiita ao santuário de Kadhamiya, a noroeste da cidade. Ao menos 1 milhão de pessoas eram esperadas na peregrinação, que tem seu ponto alto hoje.